
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca nesta terça-feira (21) para o Sudeste Asiático, em viagem que inclui compromissos na Indonésia e na Malásia. A agenda prevê participações na cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean) e no Fórum de Líderes do Leste Asiático (EAS), além de reuniões bilaterais com chefes de Estado da região. Há expectativa de uma possível reunião com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O retorno ao Brasil está previsto para o dia 28.
Na Indonésia, Lula será recebido pelo presidente Prabowo Subianto para reunião de Estado. Segundo o Itamaraty, deverão ser assinados memorandos de entendimento na área de energia renovável, e cerca de 100 empresários brasileiros participarão de um fórum de negócios em Jacarta.
Na Malásia, estão previstos encontros com o primeiro-ministro Anwar Ibrahim e a assinatura de acordos nas áreas de semicondutores, ciência e tecnologia. Durante a visita, Lula também receberá o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Nacional da Malásia.
A Asean é formada por 10 países — Brunei, Camboja, Filipinas, Indonésia, Laos, Malásia, Mianmar, Singapura, Tailândia e Vietnã — e deve receber o Timor-Leste como 11º membro. De acordo com o Itamaraty, o bloco representa um mercado de aproximadamente 680 milhões de pessoas e um PIB combinado em torno de US$ 4 trilhões.
Em 2024, o comércio entre o Brasil e os países da Asean somou mais de US$ 37 bilhões. Ainda conforme dados oficiais, o grupo respondeu por mais de 20% do superávit da balança comercial brasileira no período.
Lula participa no domingo (26) da abertura da 47ª Cúpula da Asean, em Kuala Lumpur, e no dia seguinte da 20ª Cúpula do Leste Asiático, fórum que reúne 18 países da Ásia e Oceania, entre eles China, Japão, Índia, Rússia, Estados Unidos, Coreia do Sul e Austrália.
A viagem ocorre em um momento de tensões no comércio internacional e de novas tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. O governo brasileiro tem dito que busca diversificar parceiros e reduzir dependência de mercados tradicionais, mas analistas avaliam que os resultados dependerão da efetivação dos acordos firmados.
Para estados produtores como Mato Grosso do Sul, com forte presença do agronegócio e da bioenergia, a abertura de novos mercados na Ásia pode representar oportunidades futuras de exportação, especialmente de carne, soja e etanol.