18°C 28°C
Campo Grande, MS
Publicidade

Após queda, idosa de 91 anos aguarda há 7 dias por cirurgia de fêmur na Santa Casa

Paciente segue internada, com fratura, dores e sem previsão de atendimento

03/02/2026 às 14h21
Por: João Paulo Ferreira
Compartilhe:
Idosa de 91 anos está internada na Santa Casa de Campo Grande desde 27 de janeiro, após fratura de fêmur, e aguarda cirurgia sem previsão de realização
Idosa de 91 anos está internada na Santa Casa de Campo Grande desde 27 de janeiro, após fratura de fêmur, e aguarda cirurgia sem previsão de realização

Internada na Santa Casa de Campo Grande desde a noite de 27 de janeiro, a idosa Guilhermina Ferreira Ribeiro, de 91 anos, aguarda há sete dias a realização de uma cirurgia de fêmur após sofrer uma queda dentro de casa. Segundo a família, o procedimento foi indicado por médicos logo após a confirmação da fratura, mas segue sem qualquer previsão, enquanto a paciente permanece internada, imobilizada e com dores constantes.

De acordo com a neta, Mylena Mathias, a idosa apresenta um quadro clínico delicado. Guilhermina é cardiopata, já sofreu um infarto entre 2020 e 2021 e faz uso contínuo de diversas medicações. Para a família, a demora no procedimento agrava o estado de saúde da paciente, que demonstra sinais de enfraquecimento a cada dia de internação.
“Ela sente muita dor, está muito fraca e quase não conversa mais. A gente percebe que ela está piorando com o passar dos dias”, relata.

Linha do tempo da internação

A queda ocorreu na manhã do dia 27 de janeiro, dentro da residência da idosa. Guilhermina foi levada à Santa Casa ainda no mesmo dia, dando entrada no hospital à noite. Exames de imagem confirmaram a fratura de fêmur, e a família foi informada de que o caso exigia intervenção cirúrgica.

Detalhe do membro inferior da paciente de 91 anos, internada na Santa Casa de Campo Grande desde 27 de janeiro com fratura de fêmur, aguardando cirurgia sem previsão de realização.

 

Nos dias seguintes, no entanto, o procedimento não foi realizado. Durante a internação, a paciente chegou a permanecer três dias em maca, antes de ser transferida para um quarto. Em uma das tentativas de realização da cirurgia, Guilhermina foi colocada em dieta zero, passando várias horas sem se alimentar, mas o procedimento acabou sendo adiado sem nova data definida.

“Disseram para a gente que ela ia operar, deixaram ela sem comer o dia inteiro, e depois simplesmente avisaram que não ia ter cirurgia. Ela ficou fraca, passou mal, e ninguém dava uma explicação clara”, afirma Mylena.

Dor, imobilização e fragilidade

Desde a internação, Guilhermina permanece imobilizada, sem conseguir se levantar da cama. Segundo a família, a idosa enfrenta dificuldades para se alimentar e se hidratar, sente dores constantes e depende integralmente de cuidados no leito. A situação preocupa ainda mais os familiares devido à idade avançada e às comorbidades.

“A gente sabe que fratura de fêmur em idoso é coisa séria. Cada dia parado, sem operar, é um risco a mais. E ela está ali, só esperando”, diz a neta.

Justificativas do hospital

Ainda segundo a família, ao buscar informações junto à Santa Casa, recebeu como justificativa para a demora a falta de anestesistas e de materiais, além da informação de que a paciente estaria incluída em uma fila com dezenas de pessoas aguardando cirurgia. Reclamações formais foram registradas no Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) do hospital em mais de uma ocasião, mas, conforme relatado, não houve devolutiva concreta nem definição de prazo.

“Cada vez que a gente pergunta, a resposta muda. Uma hora dizem que é falta de anestesista, outra hora que é material, outra que tem muita gente na fila. Mas ninguém diz quando ela vai operar”, afirma Mylena.

Contraditório

Procurada, a Santa Casa de Campo Grande informou que, em cumprimento à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), não pode fornecer informações específicas sobre pacientes internados, incluindo dados clínicos, diagnósticos ou procedimentos. A instituição afirmou ainda que os atendimentos seguem protocolos médicos e assistenciais, com prioridade para casos de urgência e emergência.

A Prefeitura de Campo Grande, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), também foi procurada para comentar o caso e esclarecer quais medidas vêm sendo adotadas diante da demora em cirurgias ortopédicas na Santa Casa, especialmente envolvendo pacientes idosos. Até o fechamento da reportagem, não houve resposta.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.