18°C 26°C
Campo Grande, MS
Publicidade

Uma das mais caras do Brasil, cesta básica em Campo Grande já leva mais de meio salário mínimo

Trabalhador precisa gastar 56% da renda líquida para comprar alimentos básicos na Capital

13/06/2026 às 10h02
Por: João Paulo Ferreira
Compartilhe:
Consumindo mais da metade do salário mínimo, cesta básica de Campo Grande está entre as mais caras do país, segundo levantamento do Dieese e da Conab - Foto: AMAS
Consumindo mais da metade do salário mínimo, cesta básica de Campo Grande está entre as mais caras do país, segundo levantamento do Dieese e da Conab - Foto: AMAS

Comprar os alimentos básicos ficou ainda mais pesado para o bolso dos moradores de Campo Grande. Em maio, a cesta básica na Capital chegou a R$ 841,19, valor que consome 56,1% do salário mínimo líquido de um trabalhador e coloca a cidade entre as mais caras do país para fazer compras no supermercado. Os dados foram divulgados nesta semana pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

O levantamento mostra que a cesta básica em Campo Grande ficou 1,73% mais cara em maio na comparação com abril. No acumulado de 2026, a alta já chega a 8,41%, enquanto nos últimos 12 meses o aumento foi de 6,56%.

Entre as 27 capitais pesquisadas, Campo Grande aparece com a oitava cesta básica mais cara do Brasil, atrás apenas de São Paulo, Cuiabá, Rio de Janeiro, Florianópolis, Porto Alegre, Curitiba e Vitória.

Além do valor elevado, o estudo calcula o esforço necessário para comprar os produtos básicos. Na Capital, um trabalhador que recebe salário mínimo precisou trabalhar 114 horas e 10 minutos para adquirir a cesta completa.

O que ficou mais barato em Campo Grande

Apesar da alta geral da cesta, alguns produtos registraram queda de preço em maio.

O café em pó teve a maior redução entre todas as capitais brasileiras pesquisadas, com recuo de 7,86%. Segundo o Dieese, a queda foi impulsionada pelo avanço da colheita, expectativa de boa safra e aumento da oferta mundial do produto.

O açúcar também ficou mais barato na Capital, com redução de 4,35%, uma das maiores quedas registradas no país. O levantamento aponta que a maior oferta do produto e a demanda mais fraca contribuíram para a redução dos preços no varejo.

Outro destaque foi a carne bovina de primeira. Campo Grande foi a única capital brasileira onde o produto apresentou queda em maio, com redução de 1,11%. Nas demais cidades pesquisadas, a carne ficou mais cara.

Também houve redução nacional nos preços do óleo de soja em grande parte das capitais, movimento influenciado pela maior oferta interna do produto.

O que pressionou os preços

Mesmo com algumas quedas importantes, outros produtos continuaram pressionando o custo da alimentação.

O tomate foi um dos principais vilões do mês. O preço subiu em 26 das 27 capitais brasileiras, impulsionado pela oferta reduzida causada pelo clima mais frio e pela incidência de pragas em áreas produtoras.

O feijão também registrou alta na maior parte do país. Segundo o Dieese, a restrição da oferta e as incertezas climáticas, especialmente na Região Sul, mantiveram os preços elevados.

O leite integral ficou mais caro em 23 capitais. A menor oferta nas propriedades rurais e o aumento dos custos de produção contribuíram para a alta do produto.

Outro item que chamou atenção foi a batata. Nas capitais do Centro-Sul, onde o produto é pesquisado, os preços dispararam em todas as cidades devido ao fim da safra das águas e ao atraso da entrada da safra de inverno.

Cenário nacional

A pesquisa aponta que maio foi um mês de aumento generalizado nos preços dos alimentos. O custo da cesta básica subiu nas 27 capitais brasileiras analisadas pelo Dieese.

São Paulo teve a cesta mais cara do país, custando R$ 952,20. Em seguida aparecem Cuiabá (R$ 925,49), Rio de Janeiro (R$ 914,48) e Florianópolis (R$ 913,43). Campo Grande ocupa a oitava posição do ranking nacional.

Com base na cesta mais cara do Brasil, o Dieese calculou que o salário mínimo necessário para sustentar uma família de quatro pessoas deveria ser de R$ 7.999,44 em maio, quase cinco vezes o valor do salário mínimo oficial de R$ 1.621.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.