18°C 28°C
Campo Grande, MS
Publicidade

Verniz promete matar mosquito da dengue por até dois anos

Produto aprovado pela Anvisa cria barreira invisível e surge em meio ao avanço da doença no Brasil e em MS

18/02/2026 às 11h45 Atualizada em 19/02/2026 às 10h04
Por: João Paulo Ferreira
Compartilhe:
Foto: Freepik
Foto: Freepik

O Brasil registrou mais de 502 mil casos prováveis de dengue entre janeiro e março de 2025, com 235 mortes confirmadas e outros 491 óbitos em investigação, segundo dados do Ministério da Saúde divulgados pela Jovem Pan. O avanço da circulação do sorotipo DENV-3 levou a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) a emitir alerta epidemiológico sobre o risco de surtos em países das Américas.

Nesse cenário, passou a ser comercializado no país o Verniz Afastinsetos, produto desenvolvido no Brasil e autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A proposta é criar uma camada protetora invisível em superfícies como paredes, portas, rodapés, móveis e áreas externas. Após a secagem, o verniz não altera cor, textura ou odor dos locais aplicados.

De acordo com o engenheiro químico Itamar Viana, responsável pelo desenvolvimento, o mecanismo é ativado quando o inseto pousa na área tratada. Microdoses controladas do princípio ativo são liberadas e, segundo o fabricante, eliminam o mosquito Aedes aegypti em até 24 horas e baratas da espécie Periplaneta americana em até 72 horas.

“A ideia surgiu em 2016, diante do avanço de casos de dengue, Zika e chikungunya no país. Naquele momento, percebi que as soluções existentes no mercado eram baseadas apenas em pulverização pontual, com efeito temporário e necessidade constante de reaplicação”, afirma.

Testes laboratoriais apontam eficácia de 100% contra mosquitos e de 97,5% contra baratas, com ação contínua por até dois anos após a aplicação. Segundo o desenvolvedor, o produto passou por análise físico-química, estudos toxicológicos, testes laboratoriais de eficácia, análises de estabilidade e avaliações de exposição humana, seguindo normas internacionais da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD) e critérios técnicos da Anvisa.

“Foram realizados estudos toxicológicos completos, testes laboratoriais de eficácia seguindo protocolos oficiais, análises de estabilidade físico-química e avaliações de exposição humana. Também foi exigida documentação de boas práticas de fabricação, desde a origem das matérias-primas até os processos industriais. Ao final, a formulação demonstrou segurança, estabilidade e eficácia, atendendo a todos os critérios necessários para concessão da autorização de comercialização”, acrescenta.

O produto foi projetado para uso interno e externo e está sendo avaliado para possível aplicação em projetos municipais de saúde pública, como parte de ações preventivas em escolas e unidades básicas de saúde, com a proposta de reduzir a dependência de fumacês e inseticidas convencionais.

Em Mato Grosso do Sul, o monitoramento da dengue segue ativo. Até 31 de janeiro de 2026, o estado registrou 780 casos prováveis e 42 confirmações da doença, sem mortes até o momento, segundo o boletim epidemiológico mais recente da Secretaria de Estado de Saúde. A incidência estadual é de 28,3 casos por 100 mil habitantes.

A circulação do vírus atinge diversas regiões. Corumbá soma 111 casos prováveis, Sidrolândia 59 e Costa Rica 43. Campo Grande registra nove notificações até o fechamento do levantamento. Jardim apresenta a maior incidência proporcional do estado, seguido por Antônio João e Paraíso das Águas.

O histórico recente mantém a vigilância em alerta. Em 2025, Mato Grosso do Sul confirmou 8.461 casos e 20 mortes por dengue. O boletim estadual também aponta a circulação dos sorotipos DENV-2 e DENV-3, o que exige acompanhamento contínuo e reforço nas estratégias de prevenção e controle do mosquito transmissor.

Projetado para oferecer proteção prolongada, o verniz passa a integrar o conjunto de tecnologias disponíveis no país para uso doméstico e institucional no combate ao Aedes aegypti.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.