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Morte do influenciador Henrique Maderite levanta mito do “sinal na orelha”

Cardiologista do Hospital Universitário da Capital explica por que dobra no lóbulo não serve para prever infarto

18/02/2026 às 16h23
Por: João Paulo Ferreira
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Dobra no lóbulo da orelha, conhecida como sinal de Frank, voltou a circular nas redes após a morte do influenciador Henrique Maderite; especialistas afirmam que o indicativo não é confiável para prever infarto
Dobra no lóbulo da orelha, conhecida como sinal de Frank, voltou a circular nas redes após a morte do influenciador Henrique Maderite; especialistas afirmam que o indicativo não é confiável para prever infarto

A morte do influenciador Henrique Maderite, vítima de infarto, colocou novamente em circulação nas redes sociais o chamado sinal de Frank — uma dobra diagonal no lóbulo da orelha que muitos associam ao risco de doenças cardíacas. Especialista do Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (Humap-UFMS) afirma que o indicativo não é um método confiável para prever infarto.

Descrito na década de 1970 por um pneumologista norte-americano, o sinal de Frank corresponde a uma prega diagonal no lóbulo da orelha e foi inicialmente relacionado à presença de doença coronariana, caracterizada pela obstrução das artérias que irrigam o coração.

Segundo o cardiologista Delcio Gonçalves da Silva Junior, do Humap-UFMS, é necessário cautela ao associar a presença da dobra ao risco cardíaco. “Esse sinal foi descrito há muitos anos, através de estudos observacionais e relatos de caso apenas. A verdade é que a sua capacidade de identificar realmente com segurança pessoas que têm doenças cardiovasculares graves é muito ruim. A acurácia desse sinal é baixa”, afirmou.

De acordo com o especialista, estudos mais recentes mostram que pode haver alguma associação entre a dobra no lóbulo e doenças cardiovasculares, mas ela está longe de ser determinante. “Pessoas com esse sinal podem ter, sim, algum grau de doença cardiovascular severa. Mas boa parte — ou a maioria — das pessoas que têm problemas sérios nas coronárias e eventos cardíacos fatais não apresentam esse sinal. Menos de 20% das pessoas com essa prega têm alguma chance de desenvolver um evento. Então, esse não é um método confiável nem para garantir que a pessoa tem, nem que não tem um problema cardiovascular sério”, explicou.

O cardiologista reforça que a avaliação do risco cardiovascular depende de uma análise clínica completa. Fatores como histórico familiar, idade, sintomas, hábitos de vida e aplicação de escores clínicos específicos são considerados para estimar a probabilidade de eventos cardíacos.

Exames como eletrocardiograma, ecocardiograma, teste ergométrico, angiotomografia coronária e ultrassonografias vasculares ajudam a aumentar a precisão na previsão de eventos cardíacos.

O médico destaca ainda que alguns sinais clínicos têm maior relevância para indicar risco cardiovascular elevado, como halo corneano e depósitos de gordura na pele e nos tendões, que podem indicar hipercolesterolemia familiar — condição genética associada a maior probabilidade de doença coronária precoce.

“Nas consultas, fazemos a estratificação de risco de cada indivíduo. Conforme essa pontuação, estimamos a chance de a pessoa desenvolver um problema cardíaco nos anos seguintes e montamos uma estratégia de orientação que pode envolver medicação e mudanças no estilo de vida”, afirmou.

As doenças cardiovasculares seguem como a principal causa de morte no mundo. Especialistas reforçam que a prevenção e o acompanhamento médico regular continuam sendo as principais formas de reduzir o risco de eventos graves.

O Humap-UFMS integra a Rede Ebserh desde 2013. Vinculada ao Ministério da Educação, a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares administra atualmente 45 hospitais universitários federais que atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) e apoiam a formação de profissionais de saúde, além do desenvolvimento de pesquisas e inovação.

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