
A moradora de Campo Grande Kariane Kassia Souza de Oliveira, paciente surda, esperou cerca de um ano para conseguir realizar uma laqueadura tubária pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O procedimento foi feito no Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (Humap), na Capital, durante um mutirão organizado para reduzir a fila de cirurgias eletivas.
Ao longo do período de espera, a principal dificuldade enfrentada por Kariane não foi apenas o tempo até a cirurgia, mas a comunicação no acesso aos serviços de saúde. Sem acessibilidade garantida em todos os atendimentos, ela relatou obstáculos para entender orientações médicas e acompanhar o andamento do processo até a autorização do procedimento.
A laqueadura, método contraceptivo definitivo, só foi viabilizada quando o hospital incluiu o procedimento no mutirão “Ebserh em Ação”, iniciativa que concentrou atendimentos em um curto período para tentar reduzir a demanda reprimida.
No dia da cirurgia, segundo relato da paciente, o cenário foi diferente do que havia encontrado anteriormente. Com suporte de comunicação adequado, ela conseguiu compreender as orientações da equipe e participar de todas as etapas do atendimento, desde a preparação até o pós-operatório.
“Dessa vez eu consegui entender tudo. Me senti mais segura”, relatou.
O Hospital Universitário de Campo Grande integra a rede da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) e atende exclusivamente pelo SUS. A unidade informou que a ação faz parte de uma estratégia para ampliar o acesso a cirurgias eletivas e diminuir o tempo de espera dos pacientes.
A experiência levou Kariane a incentivar outras mulheres, especialmente pessoas com deficiência, a buscarem atendimento e garantirem acesso aos procedimentos oferecidos pela rede pública de saúde.