
Dourados enfrenta um avanço acelerado da chikungunya em meio a um sistema de saúde pressionado e decisões administrativas que passaram a ser alvo de críticas. Boletim divulgado em 1º de abril aponta 2.643 notificações da doença, com 1.113 casos confirmados e 34 pacientes internados.
A taxa de positividade chega a cerca de 73%, o que indica transmissão intensa do vírus no município. Na prática, a maioria dos casos suspeitos testados confirma a doença, cenário típico de epidemia já consolidada.
O impacto já é sentido na rede de atendimento. A Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Dourados registrou aumento expressivo na demanda, passando de aproximadamente 302 atendimentos por dia para 458. O salto pressiona equipes, estrutura e tempo de resposta em um momento de alta circulação de arboviroses.
A situação é ainda mais grave nas aldeias indígenas, onde foram registradas cinco mortes associadas à chikungunya, incluindo dois bebês. Os óbitos concentram a atenção para áreas com maior vulnerabilidade e dificuldade de acesso a atendimento.
Mesmo diante do crescimento dos casos, a resposta adotada pela prefeitura passou a ser questionada por profissionais da área. O Sindicato Regional dos Agentes Comunitários de Saúde e de Combate às Endemias critica a decisão do município de contratar cerca de 20 agentes de endemias de forma temporária, em vez de convocar aprovados em concurso público vigente.
Segundo o sindicato, há profissionais concursados disponíveis que poderiam reforçar imediatamente o combate ao mosquito transmissor. A opção por contratos temporários é considerada insuficiente diante da dimensão do problema e não resolve a necessidade estrutural do município.
O cenário combina crescimento acelerado de casos, alta taxa de confirmação, internações, mortes e aumento expressivo na procura por atendimento. Ao mesmo tempo, a estratégia adotada para enfrentamento da doença é alvo de críticas por parte de quem atua diretamente no controle de endemias.
A chikungunya é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti e provoca febre alta e dores intensas nas articulações, podendo deixar sequelas por meses. Em situações de transmissão elevada, o controle do vetor e o reforço das equipes de campo são considerados essenciais para conter o avanço da doença.
Até o momento, não há indicação de desaceleração dos casos em Dourados, enquanto a rede de saúde segue absorvendo o aumento da demanda e a condução das ações de combate permanece sob questionamento.