
Corumbá pediu apoio das Forças Armadas para combater o avanço de dengue e chikungunya após registrar mais de 400 casos de dengue e ultrapassar 390 notificações de chikungunya em 2026. A articulação foi feita pelo prefeito Gabriel Alves com o 6º Distrito Naval, da Marinha, e com o Exército Brasileiro, diante do crescimento acelerado das arboviroses no município, que também deve receber reforço de equipes da Secretaria de Estado de Saúde (SES) a partir de 6 de abril.
O pedido foi conduzido pelo prefeito Gabriel Alves, que busca ampliar a capacidade de resposta do município diante do crescimento contínuo das notificações. A estratégia é integrar as Forças Armadas às ações de combate ao mosquito Aedes aegypti, responsável pela transmissão das duas doenças, principalmente em regiões de difícil acesso e com maior concentração de criadouros.
Os dados mais recentes apontam evolução rápida do surto. Em levantamentos divulgados nos últimos dias, Corumbá chegou a registrar mais de 400 casos prováveis de chikungunya, com aumento expressivo em curto intervalo de tempo. Em um único dia, foram contabilizadas dezenas de novas suspeitas, indicando avanço consistente da transmissão no município.
Além da chikungunya, a dengue também apresenta números elevados. A cidade já soma mais de 400 casos, colocando pressão adicional sobre a estrutura de atendimento. Em 2026, Corumbá também registrou uma morte suspeita por dengue, envolvendo uma adolescente de 13 anos, caso que ainda depende de confirmação oficial.
Diante do cenário, a prefeitura criou um comitê de enfrentamento envolvendo diferentes áreas da administração municipal, incluindo saúde, educação, assistência social e infraestrutura. A proposta é atuar de forma integrada na eliminação de focos do mosquito, intensificação das visitas domiciliares e ampliação das ações de conscientização.
Entre as medidas adotadas, o município passou a utilizar drones para mapear áreas críticas, especialmente locais de difícil acesso onde há maior risco de proliferação do Aedes aegypti. A tecnologia permite identificar possíveis criadouros e direcionar as equipes com maior precisão.
O reforço também envolve a mobilização da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros, além de equipes municipais que atuam diretamente nas ações de campo. Mesmo com essas iniciativas, a prefeitura avalia que a estrutura local não é suficiente para conter sozinha o avanço das doenças, o que motivou o pedido de apoio às Forças Armadas.
A atuação militar, caso confirmada, deve focar principalmente no apoio logístico, na retirada de materiais que possam servir de criadouro e no reforço das equipes em regiões com maior incidência de casos. A cidade, que faz fronteira com a Bolívia, enfrenta desafios adicionais relacionados à circulação de pessoas e à dinâmica urbana, fatores que podem contribuir para a disseminação das arboviroses.
Paralelamente, o Governo do Estado também prepara reforço. Equipes da Secretaria de Estado de Saúde (SES) têm chegada prevista a partir do dia 6 de abril, com o objetivo de intensificar as ações de controle, ampliar a capacidade de atendimento e apoiar o município na contenção do surto.
O avanço simultâneo de dengue e chikungunya em Corumbá ocorre em um contexto de alta infestação do mosquito e histórico recente de dificuldades no controle das arboviroses. A escalada dos casos e a necessidade de mobilização das Forças Armadas evidenciam a gravidade do cenário enfrentado pelo município neste início de ano.