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Com 3,6 mil notificações e 5 mortes por chikungunya, prefeitura de Dourados faz festa enquanto crise sanitária se agrava

Município mantém evento com shows e atrações enquanto boletim aponta avanço da doença, internações e alta taxa de positividade

06/04/2026 às 15h10 Atualizada em 07/04/2026 às 09h24
Por: Marcelo Tognini
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Com 3,6 mil notificações e 5 mortes por chikungunya, prefeitura de Dourados faz festa enquanto crise sanitária se agrava

Com a epidemia de chikungunya ainda em escalada, Dourados fechou este domingo (5) com 3.671 notificações da doença, 2.733 casos prováveis, 1.365 confirmações, 469 descartados e cinco mortes já confirmadas, além de duas novas mortes em investigação. O boletim mais recente, com dados da semana de 29 de março a 4 de abril, também aponta 35 pessoas internadas e uma taxa de positividade de 74,42%, sinal claro de circulação intensa do vírus no município.

O cenário já havia levado a própria prefeitura a reconhecer oficialmente a gravidade da crise. Em 20 de março, o município decretou emergência em saúde pública por 90 dias, citando crescimento expressivo de casos, hospitalizações, internações, mortes e risco de saturação da rede assistencial. Dias depois, um novo decreto também declarou situação de emergência em áreas afetadas pela epidemia.

Mesmo assim, entre os dias 2 e 5 de abril, a administração municipal escolheu festejar. Durante o fim de semana aconteceu a 2ª Festa da Páscoa, no Parque Antenor Martins, com praça de alimentação, pescaria, brinquedos, distribuição de ovos de chocolate e programação musical. No último dia, a própria prefeitura anunciou diversos shows musicais.

A contradição é política e administrativa. De um lado, o município pede mobilização da população, mantém UBSs abertas no feriadão para tentar evitar sobrecarga da UPA e admite pressão crescente sobre consultas, urgência, emergência e leitos. De outro, investe energia institucional na vitrine de um grande evento festivo em meio a uma crise sanitária que já tirou vidas e continua avançando para além da Reserva Indígena.

A pergunta que fica é inevitável: qual foi a prioridade real da gestão Marçal Filho e Giani Nogueira neste fim de semana? Porque, diante de uma cidade em emergência sanitária, com dezenas de internados e famílias enlutadas, a imagem que sobra para a população é a de uma prefeitura que conseguiu organizar palco, som e recreação, mas ainda não foi capaz de realizar o dever de casa: cuidar da saúde do município.

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