
A epidemia de chikungunya em Dourados segue em escalada e já deixou 46 pessoas internadas, segundo boletim divulgado na segunda-feira (6). Os dados apontam 3.218 casos prováveis, 1.387 confirmações e cinco mortes registradas — todas entre indígenas. Outras duas mortes estão em investigação, envolvendo um adolescente de 12 anos e um homem de 55.
O epicentro da crise permanece nas aldeias Bororó e Jaguapiru, na Reserva Indígena de Dourados, onde a taxa de positividade chegou a 74,42%, indicando circulação intensa do vírus e transmissão ativa.
Os números mais recentes mostram agravamento do cenário já registrado nos últimos dias, com aumento de internações e manutenção de óbitos, enquanto o sistema de saúde segue pressionado. O município já havia decretado situação de emergência diante do avanço da doença.
A concentração dos casos nas aldeias expõe um problema estrutural recorrente: acúmulo de lixo, água parada e falhas no saneamento, fatores diretamente ligados à proliferação do mosquito Aedes aegypti.
A responsabilidade pela limpeza urbana e pelo controle de vetores é da prefeitura, que segue sendo cobrada por não conter os focos nas áreas mais atingidas. Mesmo com a escalada da doença, a transmissão permanece ativa justamente nas regiões onde o problema ambiental é mais evidente.
Enquanto isso, a resposta mais robusta à crise tem vindo de fora do município. O Governo do Estado abriu leitos, enviou equipes e montou uma força-tarefa com a Defesa Civil para atuar nas áreas críticas. Já o Governo Federal destinou recursos emergenciais, enviou a Força Nacional do SUS e reforçou o atendimento nas aldeias.
Apesar das ações externas, o avanço da epidemia indica que as medidas adotadas até agora não foram suficientes para conter a transmissão no território indígena, onde estão concentrados os casos mais graves e todas as mortes confirmadas.
A taxa de positividade acima de 70% também levanta alerta para possível subnotificação, já que indica testagem concentrada em pacientes com sintomas mais severos, enquanto casos leves podem não estar sendo registrados.
Com novos internados e mortes ainda sob investigação, o cenário em Dourados segue em deterioração, mantendo pressão sobre a rede de saúde e ampliando a cobrança por ações efetivas no controle da doença.