
Mato Grosso do Sul movimentou R$ 1,1 bilhão em crédito rural em março de 2026, segundo o Boletim de Crédito Rural da Aprosoja/MS, elaborado com base em dados do Banco Central. No acumulado da safra 2025/2026, entre julho e março, o volume liberado já alcança R$ 11 bilhões, sendo R$ 6,9 bilhões destinados à agricultura e R$ 4,1 bilhões à pecuária.
Os números mostram que o produtor sul-mato-grossense segue em ritmo de cautela. Em março, 59% dos financiamentos foram direcionados ao custeio, linha usada para bancar despesas da produção, como plantio, manejo e manutenção da atividade. O peso maior dessa modalidade indica que o foco está em manter a safra em andamento, e não em ampliar estrutura ou acelerar novos projetos.
Já a linha de investimentos, voltada à expansão da produção e à modernização tecnológica no campo, continua em retração. O cenário reforça que, diante do custo do dinheiro e das condições do mercado, o produtor tem evitado compromissos de longo prazo e concentrado recursos no funcionamento imediato da atividade.
Outro dado apontado pelo levantamento é que a maior parte das operações em Mato Grosso do Sul foi fechada fora das linhas subsidiadas do Plano Safra, ou seja, com taxas de mercado. Isso significa que muitos produtores vêm recorrendo a crédito mais caro para manter a produção, em vez de acessar apenas financiamentos com juros controlados.
O analista de Economia da Aprosoja/MS, Mateus Fernandes, avaliou que a redução da taxa Selic de 15% para 14,75% representa um sinal positivo para o setor. Apesar disso, segundo ele, o impacto dessa queda ainda tende a ser gradual no custo final do financiamento para o campo.
No cenário nacional, o crédito rural empresarial somou R$ 404 bilhões entre julho de 2025 e março de 2026, alta de 10% na comparação com a safra anterior. Entre os instrumentos financeiros, o principal destaque foi a emissão de Cédulas de Produto Rural (CPR), que avançou 38% e atingiu R$ 183,1 bilhões no período.
O boletim também mostra que, dos R$ 113,4 bilhões em recursos equalizáveis previstos nacionalmente, 62% ainda permanecem disponíveis para contratação até o encerramento do atual Plano Safra. A disponibilidade desse saldo indica que ainda existe espaço para novas operações, embora o comportamento do produtor continue marcado pela cautela.