
Mato Grosso do Sul vai levar inteligência artificial para dentro das salas de aula da rede estadual e liberar o uso do Gemini, ferramenta desenvolvida pelo Google, para cerca de 167 mil estudantes da rede pública. O convênio entre o Governo do Estado e a empresa está marcado para ser assinado em 1º de junho, em Campo Grande, e coloca MS entre os primeiros estados do país a anunciar acesso em larga escala à tecnologia na educação básica.
O anúncio foi feito pelo governador Eduardo Riedel durante agenda pública em Campo Grande e ganhou repercussão nesta semana. Segundo o Estado, a proposta é integrar a inteligência artificial à rotina pedagógica com acompanhamento dos professores, oferecendo aos estudantes uma nova ferramenta de apoio para pesquisas, organização dos estudos e produção de conteúdo dentro do ambiente escolar.
Até agora, o governo trata a medida como uma implantação para toda a rede estadual, e não como projeto-piloto. A estimativa divulgada é de que o acesso chegue aos alunos matriculados nas escolas estaduais em Mato Grosso do Sul. A ferramenta será gratuita para os estudantes por meio da parceria institucional com a Google Brasil.
A chegada do Gemini às escolas também amplia uma agenda que já vinha sendo construída pela Secretaria de Estado de Educação. Em novembro do ano passado, a SED promoveu um “Google Day” voltado ao uso de inteligência artificial com professores e servidores da rede. Em abril deste ano, a própria secretaria divulgou ações de formação com docentes sobre IA e metodologias ativas.
A proposta, segundo o governo, é aproximar a rede pública estadual de ferramentas digitais que já vêm sendo usadas por estudantes em escolas particulares e fora do ambiente escolar. O Estado argumenta que a iniciativa pode reduzir desigualdades de acesso e preparar os alunos para um cenário cada vez mais conectado à tecnologia.
Ao mesmo tempo, a medida abre uma série de discussões práticas que ainda não foram detalhadas publicamente. Até o momento, não foram informados oficialmente quais unidades podem começar primeiro, se haverá cronograma por município, como ficará o acesso em escolas com internet limitada ou qual será a política de uso em avaliações e tarefas escolares.
Também não foi divulgado se todos os estudantes vão acessar o Gemini por conta institucional própria, se haverá filtros por faixa etária nem se existe material pedagógico padronizado para orientar professores e famílias sobre o uso da inteligência artificial.
O tema já começou a movimentar o debate entre pais e educadores. Enquete publicada pelo Campo Grande News nesta semana mostrou que a chegada da IA às salas de aula reacendeu a discussão sobre como estudantes usam esse tipo de ferramenta nas tarefas escolares e até onde vai o acompanhamento das famílias nesse processo.
A assinatura oficial do convênio está prevista para a próxima segunda-feira, 1º de junho, em Campo Grande. A expectativa é que o governo detalhe a partir daí o funcionamento do acesso, o calendário de implantação e as regras pedagógicas da nova ferramenta.