
Mato Grosso do Sul aguarda o avanço de um dos maiores projetos de infraestrutura do país. A concessão da Ferrovia Malha Oeste, que prevê R$ 89,2 bilhões em investimentos ao longo de 57 anos, já recebeu aval da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e agora depende das análises finais do Ministério dos Transportes e do Tribunal de Contas da União (TCU) antes da publicação do edital e realização do leilão. A ferrovia liga Corumbá a Mairinque (SP), passando por Campo Grande e Três Lagoas, e é considerada estratégica para o escoamento da produção sul-mato-grossense.
O projeto ganhou novo impulso após o governo federal abandonar a tentativa de renovar o contrato da atual concessionária por meio de uma solução consensual. A decisão foi partir para uma nova licitação, considerada pelo setor ferroviário como a alternativa mais viável para recuperar uma malha que perdeu competitividade nas últimas décadas.
A proposta aprovada pela ANTT prevê investimentos de R$ 35,7 bilhões em obras de modernização da infraestrutura ferroviária e outros R$ 53,5 bilhões destinados à operação e manutenção ao longo do contrato. O modelo também prevê aporte público para recuperação dos trechos mais degradados da linha.
Hoje, boa parte das cargas produzidas em Mato Grosso do Sul depende exclusivamente do transporte rodoviário. Minério de ferro extraído em Corumbá, celulose produzida na região leste do Estado, além de grãos, fertilizantes e combustíveis, seguem majoritariamente pelas rodovias até os portos e centros consumidores.
A recuperação da Malha Oeste é vista pelo setor produtivo como uma alternativa para reduzir custos logísticos, ampliar a competitividade das exportações e aliviar a pressão sobre as estradas. O corredor ferroviário conecta áreas de produção do Estado ao interior paulista, onde há ligação com outros sistemas ferroviários e acesso aos principais portos do país.
A ferrovia possui cerca de 1.625 quilômetros de extensão e atravessa alguns dos principais polos econômicos de Mato Grosso do Sul. Além de Corumbá, Campo Grande e Três Lagoas, o traçado influencia diretamente municípios que dependem da logística para o transporte de mercadorias e matérias-primas.
Apesar do avanço do projeto, ainda existem dúvidas sobre a viabilidade econômica do modelo proposto. Especialistas do setor ferroviário discutem se a concessão deverá atrair investidores suficientes para garantir a execução integral dos investimentos previstos. A análise do TCU será considerada uma etapa decisiva para definir o formato final do leilão.
Caso o cronograma seja mantido, o governo federal pretende realizar a concessão ainda em 2026. Para Mato Grosso do Sul, a expectativa é que a retomada da Malha Oeste represente uma mudança estrutural na logística estadual, reduzindo a dependência do transporte rodoviário e ampliando a capacidade de escoamento da produção agropecuária e industrial.