
Quem utiliza a BR-163 em Mato Grosso do Sul pode ter de preparar o bolso para um aumento expressivo nas tarifas de pedágio. A área técnica da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) recomendou reajuste médio de 41,63% nas nove praças da rodovia no Estado, percentual superior aos 39,3% solicitados pela concessionária Motiva Pantanal. Se confirmado, o aumento começará a valer a partir de 5 de agosto.
O parecer técnico divulgado pela agência prevê os maiores reajustes nas praças de São Gabriel do Oeste e Campo Grande. Em São Gabriel do Oeste, a tarifa para veículos de passeio poderá subir de R$ 7,50 para R$ 10,80, aumento de 44%. Já em Campo Grande, o valor passaria dos atuais R$ 10 para R$ 14,30, alta de 43%.
A proposta faz parte da primeira revisão tarifária do novo contrato de concessão da BR-163/MS, administrado pela Motiva Pantanal. O reajuste considera a atualização monetária prevista contratualmente e mecanismos estabelecidos no processo de relicitação da rodovia.
Além de Campo Grande e São Gabriel do Oeste, outras praças também terão aumentos significativos caso a recomendação seja aprovada definitivamente. Em Rio Brilhante, a tarifa poderá passar de R$ 9,10 para R$ 12,80. Em Jaraguari, de R$ 7,80 para R$ 11. Já em Rio Verde de Mato Grosso, o valor poderá subir de R$ 10 para R$ 14,10.
A concessionária ainda terá prazo para apresentar manifestação sobre os cálculos realizados pela ANTT. Somente após essa etapa a agência deverá publicar a decisão final com os valores definitivos que serão cobrados dos motoristas.
O reajuste gerou repercussão porque supera o percentual pedido pela própria Motiva Pantanal. Enquanto a empresa havia solicitado aumento médio de 39,3%, os técnicos da agência reguladora recomendaram percentual ainda maior, elevando a tarifa média das praças para cerca de R$ 12.
O aumento ocorre em meio a questionamentos sobre o andamento das obras previstas no novo contrato da BR-163. Recentemente, a própria ANTT cobrou a concessionária por atrasos em intervenções programadas para o primeiro ano da concessão. Segundo inspeção da agência, quase metade das obras previstas apresentava atraso acumulado.
Para quem depende diariamente da rodovia, o impacto pode ser significativo. Um motorista que utiliza a praça de Campo Grande duas vezes por dia, por exemplo, passaria a gastar R$ 28,60 por dia apenas em pedágio. Em um mês com 22 dias úteis, a despesa chegaria a R$ 629,20, contra os atuais R$ 440. O aumento mensal seria de R$ 189,20.