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Com tumor no cérebro, professora passa dias em jejum, mas cirurgia é sempre cancelada na Santa Casa

Cancelamentos acontecem por falta de anestesista; Empresa que presta o serviço diz estar há mais de três meses sem receber do hospital e aceitou atender por mais 30 dias

07/10/2026 às 07h18 Atualizada em 07/10/2026 às 07h34
Por: João Paulo Ferreira
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A professora Izabel Cristina Ferreira, de 60 anos, está internada desde 19 de setembro à espera de uma cirurgia no cérebro na Santa Casa de Campo Grande. A cirurgia foi cancelada repetidas vezes por falta de anestesista
A professora Izabel Cristina Ferreira, de 60 anos, está internada desde 19 de setembro à espera de uma cirurgia no cérebro na Santa Casa de Campo Grande. A cirurgia foi cancelada repetidas vezes por falta de anestesista

A professora Izabel Cristina Ferreira, de 60 anos, está internada na Santa Casa de Campo Grande desde 19 de setembro, com um tumor no cérebro, e ainda não foi operada. Segundo a família, a cirurgia é marcada e cancelada seguidamente por falta de anestesista. Enquanto isso, ela passa os dias em jejum à espera do procedimento.

"Eles fazem assim: de segunda a sexta-feira, ela fica de jejum entre 23h e 16h. Quando chega a hora no outro dia, eles falam que não tem anestesista e cancelam", contou a nora, Juliana Rodrigues Cramolish, em relato ao Campo Grande News. "Estamos vivendo uma situação muito angustiante. Minhas cunhadas foram na Ouvidoria e até agora nada."

No mesmo hospital, Luís Fernando Floriano da Silva espera cirurgia no fêmur, que ele quebrou num acidente de moto no domingo (4). Segundo a esposa, o procedimento foi adiado mais de uma vez. "Ele está sentindo muita dor e tontura, além de apresentar inchaço na perna que vem aumentando", relatou.

Dívida com anestesistas

Os cancelamentos ocorrem em meio a um impasse entre a Santa Casa e a Servan Anestesiologia, empresa que presta o serviço de anestesia no hospital. Em comunicado divulgado após uma assembleia em 1º de outubro, a empresa afirmou que a Santa Casa está "inadimplente há mais de três meses". O valor da dívida não foi divulgado.

Na mesma assembleia, os anestesiologistas aceitaram continuar atendendo por mais 30 dias, a pedido do secretário estadual de Saúde, Maurício Simões. O prazo termina no fim de outubro. A empresa disse esperar que o hospital use esse tempo para pagar os profissionais e planejar uma eventual substituição do serviço.

Em nota, a Santa Casa informou que as negociações com os anestesiologistas continuam, que as partes acordaram a prorrogação de 30 dias e que o diálogo segue aberto para chegar a uma solução de consenso.

Dinheiro para remédios

Também nesta terça-feira (6), o Diário Oficial de Campo Grande publicou um convênio de R$ 4 milhões para a Santa Casa. O Governo do Estado entra com R$ 3 milhões e a Prefeitura com R$ 1 milhão. O dinheiro vai para a compra de medicamentos e materiais médico-hospitalares, tem vigência de 120 dias e não cobre a dívida com os anestesistas.

A Secretaria Municipal de Saúde havia anunciado o aporte em 3 de setembro, com a promessa de liberar o valor "nos próximos dias". O convênio foi publicado 33 dias depois.

Hospital sob intervenção

Desde 24 de setembro, a Santa Casa é comandada por um gestor provisório nomeado pela Justiça, o médico Luiz Alberto Kanamura, por 180 dias. A decisão do juiz Eduardo Lacerda Trevisan, da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos, afastou a diretoria depois da Operação Antidotum, deflagrada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) em 11 de setembro.

A operação investiga desvios em contratos do hospital e levou à prisão da então presidente, Alir Terra. Em 1º de outubro, a Justiça aceitou a denúncia do MPMS e ela e outras seis pessoas passaram a responder como rés.

A falta de anestesistas é um problema antigo no hospital. Em junho, uma fiscalização do MPMS, da Defensoria Pública e da Secretaria Municipal de Saúde encontrou apenas 4 das 21 salas cirúrgicas funcionando por falta de equipes de anestesia.

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