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Santa Casa vai auditar dívida de R$ 32 milhões com médicos antes de pagar

Cerca de 300 médicos PJ, a maioria anestesistas, estão sem receber desde maio, segundo o sindicato. Auditoria deve começar na semana que vem

13/10/2026 às 08h40
Por: João Paulo Ferreira
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Dívida com cerca de 300 médicos PJ passa por auditoria antes do pagamento; segundo o sindicato, eles estão sem salário desde maio - Foto: Santa Casa de Campo Grande
Dívida com cerca de 300 médicos PJ passa por auditoria antes do pagamento; segundo o sindicato, eles estão sem salário desde maio - Foto: Santa Casa de Campo Grande

A Santa Casa de Campo Grande vai passar por uma auditoria antes de pagar os salários atrasados dos médicos contratados como pessoa jurídica (PJ). Segundo o Sindicato dos Médicos de Mato Grosso do Sul (Sinmed-MS), a dívida somava R$ 32 milhões no início de outubro e atinge cerca de 300 profissionais, a maioria anestesistas, que estão sem receber desde maio.

O gestor provisório do hospital, Luiz Alberto Kanamura, afirmou que a auditoria já foi contratada e deve começar na próxima semana. Ele tratou o débito como um passivo acumulado, que precisa ser verificado antes do pagamento. Segundo Kanamura, a análise vai mostrar se a Santa Casa consegue quitar a dívida com recursos próprios ou se será preciso negociar com o Governo do Estado e a Prefeitura, porque "isso vai precisar de aporte de dinheiro", em entrevista ao portal Midiamax.

O gestor disse que conversou com todas as especialidades e anunciou a auditoria em reunião com o corpo clínico. O nome da empresa contratada, o custo e o prazo para a conclusão do trabalho não foram divulgados.

Dívida cresce a cada mês

Segundo o Sinmed, a folha mensal desses médicos fica entre R$ 8 milhões e R$ 8,5 milhões, valor que se soma à dívida a cada mês sem pagamento. No início de outubro, o sindicato estimava que o débito passaria de R$ 40 milhões ainda neste mês caso não houvesse acordo.

Os anestesistas, mais de 100 profissionais PJ, chegaram a discutir paralisação e saída coletiva do hospital. De acordo com o presidente do Sinmed, Marcelo Santana Silveira, o grupo recuou depois da troca de comando da Santa Casa e da promessa de negociação. A empresa responsável pela anestesiologia, a Servan, decidiu manter o atendimento por mais 30 dias, até o fim de outubro, a pedido do secretário estadual de Saúde, Maurício Simões.

Enfermagem

Kanamura também falou sobre a sobrecarga da enfermagem, denunciada pelo Sindicato dos Trabalhadores na Área de Enfermagem de Mato Grosso do Sul (Siems). Segundo o sindicato, desde que o laboratório terceirizado deixou o hospital, em agosto, enfermeiros e técnicos passaram a fazer as coletas para exames e também o transporte de pacientes, função dos maqueiros. O caso foi discutido em reunião no Ministério Público do Trabalho (MPT-MS) na segunda-feira (5).

Para o gestor, a sobrecarga não decorre da falta de profissionais, mas das tarefas que antes eram do laboratório. Ele afirmou que já negociou com um laboratório e que está sendo montada uma equipe de coleta sem a participação da enfermagem. Foi definida a contratação de 13 coletores, e outras contratações estão previstas, ainda sem prazo.

O pronto-socorro e as alas de cirurgia, clínica médica e hemodiálise têm maqueiros. Nas UTIs, o transporte de pacientes em estado grave continua sendo feito por uma equipe formada por médico, enfermeiro e fisioterapeuta.

Novo contrato na Justiça

A Prefeitura de Campo Grande, o Governo do Estado e a gestão provisória fecharam na quinta-feira (8) a proposta de um novo contrato da Santa Casa com o Sistema Único de Saúde (SUS), com reforço de R$ 4,5 milhões nos repasses: R$ 3,5 milhões do Estado e R$ 1 milhão da Prefeitura. O texto será apresentado em audiência judicial nesta quarta-feira (14). O convênio atual vale até 30 de novembro.

Na terça-feira (6), Estado e Prefeitura já haviam publicado um convênio emergencial de R$ 4 milhões para a compra de medicamentos e materiais médico-hospitalares.

Em documento apresentado à Justiça, a Procuradoria-Geral do Estado (PGE) mostrou que o dinheiro do SUS enviado ao hospital subiu de R$ 344,6 milhões em 2022 para R$ 438,7 milhões em 2025. Na sexta-feira (9), Kanamura afirmou que a Santa Casa acumula R$ 810 milhões em dívidas, entre parcelamentos com a Caixa Econômica Federal, impostos e FGTS atrasados.

Kanamura administra o hospital desde 24 de setembro. Ele foi nomeado gestor provisório por 180 dias pelo juiz Eduardo Lacerda Trevisan, da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos de Campo Grande, que afastou a antiga diretoria após a Operação Antidotum, do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS).

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