Pode até parecer estranho quando você fala, mas o sabor, é uma iguaria campo-grandense. A famosa, mandioca com shoyu, já virou tradição no prato dos campo-grandenses. Seja nascido aqui ou não, se você mora em Campo Grande já percebeu que é só servir mandioca que alguém procura o shoyu na mesa.
Shoyu, é o nome dado para o molho de soja, aquele vidrinho ou plástico em cima da mesa ou então dentro da geladeira. Entre os ingredientes, ele leva cereais torrados, água, sal, agentes de fermentação, além de soja. Trazido pela comunidade japonesa a Campo Grande, a origem dele na nosso prato começou na Feira Central.
Trazido pelos japoneses que vieram de Okinawa, o sobá começou a ser vendido na feira, quando ela ainda ocupava o Centro da cidade, em 1965. E nele era usado o que? Sim, o shoyu. Foi aí que o campo-grandense foi apresentado ao molho de soja que o acompanharia em todo churrasco.
Os precursores do sobá, e consequentemente da familiaridade de Campo Grande ao shoyu, foi a família Katsuren. O curioso da época, que entra aqui como um mero detalhe, é que a tradição era comer o sobá entre lençóis, porque ninguém sabia ao certo usar o hashi e a lambança era garantida.
A confirmação de que a mistura entre shoyo e mandioca virou tradição da Feira Central a casa das famílias de Campo Grande vem do feirante Sidney Yoza. Dos 51 anos de vida, 35 deles são como feirante. Descendente de japoneses, ele é a terceira geração da barraca de espetinho e sobá na feirona.
“O hábito das pessoas tomarem shoyu com mandioca veio porque a gente começou vendendo sobá na feira e com o sobá era oferecido o molho de soja. Quando passou a vender espeto, o cliente começou a experimentar o molho também na mandioca”, descreve.
E hoje é assim, todas as mesas da Feira Central têm que ter shoyu, e no armário ou geladeira do campo-grandense, também. “Virou um hábito regional. Se eu como mandioca com shoyu? Como… Desde criança a gente está na feira e pegou esse hábito também”, responde Sidney.