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Higor Alexandre, comediante sul-mato-grossense travou batalhas pessoais para brilhar nos palcos de stand-up

Higor Alexandre, comediante sul-mato-grossense travou batalhas pessoais para brilhar nos palcos de stand-up

14/01/2022 às 12h41 Atualizada em 14/01/2022 às 16h41
Por: Viviane Freitas
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Dentre as inúmeras histórias de superação e oportunidades que o mundo da comédia proporciona, uma delas está em Campo Grande – Mato Grosso do Sul. Higor Alexandre, de 28 anos, já passou por diversos empregos, até se deparar com o stand-up, que ele sonha em transformar como sua renda principal. Após travar batalhas pessoais sobre pressões da sociedade, o rapaz muda conceitos e faz as pessoas rirem com piadas regionais.

Entre as horas vagas no emprego de carteira assinada e as noites de sono perdidas que o sul-mato-grossense edita seus materiais e luta para que um dia a divisão acabe e ele possa viver somente do mundo da comédia.

“Sempre acho um tempinho para produzir, seja, depois que o guri [filho] dorme à noite, ou levantando mais cedo. O dinheiro que entra através dos palcos é apenas para cobrir os custos, mas ainda não paga os meus boletos” ri o rapaz.

O sonho do sul-mato-grossense é viver somente da profissão de comediante e garantir um futuro para seu filho, mas até alcançar seu objetivo, o coração segue tranquilo. “Eu tenho uma paz de espírito muito grande, que, independente da proporção, estou fazendo o que gosto. Por enquanto, estou bem feliz fazendo duas ou três pessoas esquecerem seus problemas com minhas piadas, mesmo que por um curto espaço de tempo", reflete.

Anotando tudo o que vê no cotidiano dos sul-mato-grossenses o rapaz aborda os mais variados tipos de temas, seja no palco com o stand-up ou em seus vídeos nas redes sociais. “A maior paixão que os sul-mato-grossenses têm é a bebida mais famosa: o tereré, e eu usei isso ao meu favor. Mas sempre abordo os mais variados tipos de temas e, conforme vou tendo insights sobre determinado assunto, vou acumulando até chegar em um momento que penso 'Ok, agora eu sento e escrevo", destaca.

A arte sempre serviu como auxílio em períodos de grandes dificuldades. Com isso em mente, o humorista, diz que precisou transformar seu conceito de felicidade para poder se libertar da pressão da sociedade.

“Quando criança me falaram que tinha que estudar, quando terminei a faculdade me diziam que tinha que fazer qualificação (pós-graduação), enquanto eu namorava tinha que me casar, depois que me casei, tinha que ter filho, depois que tive filho tinha que fazer outro para ter um irmão para brincar. Quando parei para entender que nada iria satisfazer as pessoas se aquilo não fizesse eu feliz primeiro, eu mudei de vida”, relembra.

Crescer em uma família engraçada e absorver comportamentos podem ter despertado no comediante esse dom para o humor - que ele afirma não ter. Os pais contribuíram e o inspiraram, de alguma forma, a querer fazer isso na vida.

"Não nasci com talento e nem acho que tenho. Um pouco de gatilhos eu aprendi dentro de casa. Meu pai tem um senso de humor impressionante, daquelas pessoas que riem de tudo, e minha mãe sabia disso. Ela sempre teve uma pré-disposição para comédia, absorvia os trejeitos de pessoas da família, então ela imitava para o meu pai, abusando do exagero e acting (estilo de comédia corporal), e eles riam por horas. Eu achava aquilo mágico e queria proporcionar isso para as pessoas. De resto, é puramente estudo e prática, e nem acho que na vida sou um cara engraçadão, mas faço por que me sinto bem", acrescenta.

Higor Alexandre lembra que já passou por diversos trabalhos, mas nenhum o satisfaz mais do que o stand-up. “Já limpei gaiola de passarinho, fui auxiliar de reprografia, já vendi alfajajor, sites para empresas, fui supervisor comercial e hoje sou analista de compras de uma empresa que vende materiais hospitalares, mas o amor pela comédia é o que fala mais alto em meu coração”, frisa.

Durante momentos sombrios, como os vividos na pandemia, Higor reitera a importância da arte e do humor como escapismo. “A arte sempre foi uma resposta de sobrevivência dos indivíduos desde que o mundo é mundo”, aponta. “Na pandemia, os artistas ajudam as pessoas a se erguerem, a se sentirem aliviadas. A arte é salvadora”, finaliza o humorista.

Atualmente, Higor toca o "Quase Happy Hour", projeto que leva o stand up comedy para os bares de Campo Grande. As apresentações estão fixas no Vera's bar, junto com dois excelentes comediantes aqui do Estado Junior Manica (@ojuniormanica) e o Wagner Jean (Corumbá da blink) (@corumbadapopular).

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