
Enquanto boa parte do país ainda tenta entender como ciência, tecnologia e saúde pública podem caminhar juntas, Campo Grande deu um passo que promete colocar a cidade em outra rota — literalmente. Na última sexta-feira (9), o Parque Tecnológico e de Inovação de Campo Grande (Parktec CG) firmou um acordo com a Fiocruz Mato Grosso do Sul, em um movimento que pode mexer com o eixo da inovação voltada para o bem comum.
A parceria foi oficializada durante a Reunião Estratégica sobre Vigilância Baseada em Comunidade (VBC), evento que trouxe para a capital sul-mato-grossense especialistas, organizações internacionais e representantes do Ministério da Saúde para discutir formas mais inteligentes — e humanas — de cuidar da saúde coletiva.
Entre os projetos apresentados, alguns chamaram atenção não só pelo uso de tecnologia, mas pela tentativa de envolver as pessoas na construção das soluções. Um exemplo é o Ecos da Rota, desenvolvido pela Fiocruz/MS com apoio da Fundação Bill & Melinda Gates, que aposta em inteligência artificial e mobilização comunitária ao longo da Rota Bioceânica. A proposta é ousada: mapear, prever e intervir em questões de saúde pública antes que se tornem crises.
Jislaine de Fátima Guilhermino, diretora da Fiocruz/MS, acredita que a união entre as duas instituições pode dar liga. “Ampliamos as possibilidades de atuação conjunta e reafirmamos o compromisso com o desenvolvimento regional e a saúde como direito coletivo”, afirmou. A fala é institucional, mas o desafio é concreto: transformar intenções em políticas que funcionem na prática.
Do lado do Parktec, a aposta é que parcerias como essa tragam vida ao discurso de inovação. “Essas conexões criam um ambiente fértil para novas ideias e projetos”, disse Adriana Tozzetti, diretora-executiva do parque. A ideia é fazer do espaço algo mais do que um polo tecnológico — um catalisador de mudanças reais na cidade.
Criado em 2023, o Parktec CG ainda está em construção, no sentido literal e simbólico. Instalado no bairro Monte Castelo e ligado à Casa Civil da Prefeitura, o parque quer ser ponte entre universidades, empresas e governo — mas precisa provar que pode ir além da boa intenção institucional.
Segundo a direção do Parktec, novas parcerias estão em negociação e devem ser anunciadas em breve. Por enquanto, o que se viu foi um aceno importante para uma cidade que tenta se reinventar — e uma chance de que essa reinvenção passe, finalmente, por soluções que façam sentido pra quem vive aqui.