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Com postos lotados e sem resposta da prefeitura, profissionais da saúde param nesta quinta em Campo Grande

Farmacêuticos e outras categorias cobram reajuste, jornada reduzida e insalubridade

14/05/2025 às 17h41 Atualizada em 14/05/2025 às 23h24
Por: João Paulo Ferreira
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Usuários aguardam atendimento em unidade de saúde de Campo Grande na véspera da paralisação; salas de espera registraram lotação mesmo com presença de profissionais nas equipes
Usuários aguardam atendimento em unidade de saúde de Campo Grande na véspera da paralisação; salas de espera registraram lotação mesmo com presença de profissionais nas equipes

Servidores da saúde da rede municipal de Campo Grande realizam nesta quinta-feira (15) uma paralisação de advertência para cobrar reajuste salarial, adicional de insalubridade e a regulamentação da jornada de 30 horas semanais. A mobilização foi convocada pelo Sindicato dos Servidores Municipais de Campo Grande (SISEM) e aprovada em assembleia no último dia 8 de maio.

Na noite anterior ao início da paralisação, a reportagem registrou lotação nas salas de espera de unidades da rede municipal. A presença dos profissionais, mesmo em véspera de mobilização, não impediu o acúmulo de pacientes em busca de atendimento.

A paralisação atinge profissionais das carreiras de farmacêutico, psicólogo, nutricionista, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, fonoaudiólogo, profissional de educação física e assistente social. A categoria afirma que tem enfrentado sobrecarga de trabalho, salários congelados e falta de diálogo com a gestão municipal.

“Vai ser uma paralisação de advertência, de um dia só, pra prefeita ouvir a gente e abrir negociação. Não é uma greve. Foi tudo votado em assembleia. O SISEM está coordenando”, disse um farmacêutico da rede municipal que participa da organização do movimento e pediu para não ser identificado.

Outro servidor também relatou insatisfação com as condições de trabalho. Segundo ele, o problema não é apenas salarial, mas estrutural.

“A gente está sobrecarregado, sem valorização. As pautas são antigas e até hoje não resolveram. Não é só por salário, é por dignidade mesmo”, afirmou.

De acordo com Alexandre Corrêa, farmacêutico da rede municipal e membro da Comissão de Negociação do SISEM, cerca de 70 farmacêuticos devem aderir à paralisação.

“A gestão já disse que não dará nada do que estamos reivindicando, essa é a informação até agora. Se não houver resposta, um indicativo de greve será debatido em nova assembleia”, afirmou.

Durante a paralisação, os farmacêuticos deverão comparecer às unidades de saúde, mas sem atuar na dispensação de medicamentos. As farmácias internas permanecerão fechadas, e os medicamentos controlados — como antibióticos e psicotrópicos — deverão ser trancados, sob responsabilidade técnica da categoria. A exceção será para as UPAs Moreninhas e Santa Mônica, que manterão o funcionamento normal da farmácia como forma de evidenciar o impacto da paralisação.

As orientações repassadas aos trabalhadores indicam que eles devem cumprir o expediente em outros setores das unidades e evitar enfrentamentos com a chefia local. Caso haja retaliações, o sindicato promete respaldo jurídico.

“A ideia é chamar atenção para a força e a importância do farmacêutico no sistema de saúde”, destacou Alexandre. Segundo ele, diretores do SISEM irão para a frente da prefeitura nesta quinta-feira como forma de pressão política e visibilidade ao movimento.

“Nós vamos ver para quinta-feira caso a prefeita não nos chame para conversar. Nós sempre damos um prazo, ela fazendo uma proposta concreta, nós chamamos uma assembleia. Se aceitarem, tranquilo, senão continua o movimento”, declarou o presidente do SISEM, Willian Freitas, em entrevista ao Campo Grande News.

O manifesto compartilhado com os servidores classifica o movimento como um "chamado à coragem" e diz que a paralisação busca não só melhores condições para os trabalhadores, mas também qualidade no atendimento prestado à população.

“Essa paralisação não é contra o povo. É pelo povo. Porque quem luta por condições justas de trabalho também está lutando por qualidade no serviço que entregamos à população”, afirma o texto.

Até o momento, a Prefeitura de Campo Grande não se manifestou oficialmente sobre a paralisação.

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