
Um adolescente de 13 anos está internado desde o último sábado (24) na Santa Casa de Campo Grande com o braço fraturado e segue sem ter sido operado. Segundo a mãe, ele tem sido colocado todos os dias em dieta zero, com promessa de cirurgia, mas o procedimento nunca acontece.
Thairine Thays Silva, de 34 anos, vendedora, acompanha o filho desde a internação. Ela afirma que todos os dias o menino é orientado a ficar em jejum, com a expectativa de que será operado, mas a cirurgia é sempre adiada.
“Todos os dias ele entra em dieta zero. Há 6 dias isso”, disse ao Portal O Sul-mato-grossense.
Ela relata que buscou ajuda da ouvidoria da Santa Casa e da Defensoria Pública, mas não obteve retorno.
Um vídeo gravado pela família mostra o braço do menino com uma curvatura visível. A mãe teme que o osso cole de forma errada, provocando sequelas permanentes.
Diante da demora no atendimento, o Portal O Sul-mato-grossense entrou em contato com a presidente da Santa Casa, Dra. Alir Terra, que repassou a demanda ao diretor técnico, Dr. William Leite Lemos Junior.
O diretor afirmou que a cirurgia estava “agendada para amanhã” (sábado, 31), mas admitiu que o procedimento pode ser suspenso a qualquer momento, dependendo da prioridade de casos mais graves.
“O procedimento está agendado para amanhã, mas a medicina não é uma ciência exata”, disse à reportagem.
Pouco depois dessa declaração, a assessoria de comunicação da Santa Casa enviou nota oficial com uma informação diferente: segundo a assessoria, não há previsão para o procedimento, e o adolescente está entre os 45 pacientes na fila da ortopedia.
Questionado sobre a divergência entre sua fala e a nota, Dr. William justificou dizendo que estava passando a informação mais atualizada e que a nota enviada pela assessoria era anterior.
Após o questionamento, Dr. William reagiu com rispidez e sugeriu encerrar o contato direto com a reportagem:
“Podemos caminhar com tranquilidade por aqui ou então usarei apenas os canais oficiais, o que trará demora na informação.”
O Portal O Sul-mato-grossense esclarece que não buscava nenhum tipo de privilégio de informação, mas sim respostas objetivas e urgentes sobre um caso grave envolvendo uma criança que sofre há dias sem atendimento definitivo.
A mãe afirma que não recebeu nenhuma confirmação formal sobre a cirurgia. Segundo ela, todos os dias a equipe apenas orienta a manter o jejum “caso surja vaga”, mas nada é garantido.
A reportagem também procurou o vereador Dr. Lívio Leite, presidente da Comissão Permanente de Saúde da Câmara Municipal de Campo Grande, e a secretária municipal de Saúde, Dra. Rosana Leite, mas nenhum dos dois respondeu até o fechamento desta matéria.
O Portal O Sul-mato-grossense segue acompanhando o caso.