
Mato Grosso do Sul encerrou o ano de 2024 com uma taxa de 189,7 casos de maus-tratos por 100 mil crianças e adolescentes, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025. Apesar da redução de 9,6% em relação ao ano anterior, o índice mantém o estado entre os mais preocupantes do país nesse tipo de crime.
O levantamento classifica a situação de MS como crítica, ao lado de estados que historicamente concentram maior vulnerabilidade social. Os dados incluem registros de agressão física, negligência, abandono, abuso psicológico e omissão de cuidados básicos. Não há detalhamento de ranking por estado, mas o documento afirma que Mato Grosso do Sul segue com uma das taxas mais elevadas do Brasil.
Boa parte das vítimas está nas faixas etárias entre 0 e 13 anos, justamente o público mais dependente da estrutura familiar e da atuação da rede de proteção. O Anuário alerta para a subnotificação dos casos, especialmente no interior, onde muitos municípios não possuem conselhos tutelares em tempo integral.
Além dos maus-tratos, o estado também apresenta taxas preocupantes de lesão corporal dolosa em contexto doméstico contra crianças, o que indica violência praticada dentro de casa, muitas vezes por pais, padrastos ou responsáveis legais. Em nível nacional, mais de 60 mil casos de violência contra menores foram registrados em 2024, com crescimento em quase todas as faixas etárias.
O relatório destaca que sábados e domingos concentram o maior número de ocorrências, e que a maior parte dos crimes é cometida por familiares próximos. Em muitos casos, a vítima demora a ser identificada por medo, dependência ou ausência de rede de apoio.
Especialistas defendem a ampliação do uso de instrumentos como a Lei Henry Borel, que permite prisão preventiva de agressores em flagrante, além de campanhas de conscientização permanentes nas escolas, postos de saúde e comunidades.
Mesmo com a criação de canais como o Disque 100 e aplicativos de denúncia, o Anuário aponta que o Brasil ainda carece de um sistema nacional de notificação padronizada e integrada para esse tipo de violência.
Em Mato Grosso do Sul, programas como a escuta especializada e os núcleos psicossociais em unidades de saúde da família são considerados positivos, mas a cobertura ainda é baixa fora dos grandes centros.