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Com 3 casos em MS, febre oropouche deixa de ser amazônica e vira preocupação nacional

Doença chegou a Campo Grande, Itaporã e Vicentina e já infectou mais de 11 mil pessoas no Brasil

28/07/2025 às 09h44
Por: João Paulo Ferreira
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Mosquito Culicoides paraensis, conhecido como maruim, é o principal transmissor do vírus da febre oropouche no Brasil
Mosquito Culicoides paraensis, conhecido como maruim, é o principal transmissor do vírus da febre oropouche no Brasil

Antes restrita à Região Amazônica, a febre oropouche já se espalhou por 18 estados e o Distrito Federal, somando 11.805 casos confirmados em 2025. Em Mato Grosso do Sul, a doença foi registrada pela primeira vez em junho de 2024 e já contabiliza três infecções — uma importada em Campo Grande e duas autóctones, em Itaporã e Vicentina.

A febre oropouche é causada por um vírus transmitido pelo mosquito Culicoides paraensis, conhecido como maruim ou mosquito-pólvora. O vetor se reproduz em ambientes úmidos com matéria orgânica em decomposição, comuns em áreas periurbanas e plantações. Essas condições estão presentes em boa parte do território sul-mato-grossense.

Os sintomas incluem febre alta, dor de cabeça, dores musculares e nas articulações, náuseas e vômitos, além de possíveis complicações neurológicas e riscos à gestação, como microcefalia e óbito fetal. Até agora, o Brasil confirmou cinco mortes ligadas à doença em 2025, quatro no Rio de Janeiro e uma no Espírito Santo.

O Ministério da Saúde intensificou o monitoramento em estados afetados e emitiu nota técnica com orientações para notificação obrigatória de casos suspeitos, investigação laboratorial e medidas de prevenção. Em parceria com a Fiocruz e a Embrapa, a pasta avalia o uso de inseticidas para conter o vetor.

Em Mato Grosso do Sul, a Secretaria de Estado de Saúde reforçou a vigilância e monitora ativamente áreas de risco. O avanço da doença em municípios como Itaporã e Vicentina acende o alerta para o interior do estado, onde a presença do maruim pode ser favorecida por fatores ambientais e atividades agrícolas.

Estudos da Fiocruz apontam que a linhagem atual do vírus surgiu no Amazonas e se espalhou a partir de áreas de desmatamento recente no Norte do país. Pesquisadores também relacionam o surto ao impacto de eventos climáticos extremos, como o El Niño, que alteram os padrões de chuva e temperatura, favorecendo a proliferação do vetor.

Com transmissão ativa e presença confirmada em três municípios, Mato Grosso do Sul entra oficialmente no mapa nacional da febre oropouche e passa a ser área de interesse prioritário nas ações de contenção da doença.

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