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Primeiro Samu indígena do país começa a funcionar em Dourados para atender 25 mil pessoas

Projeto-piloto foi inaugurado no último sábado e atenderá as aldeias Jaguapiru e Bororó com profissionais bilíngues

11/08/2025 às 16h34
Por: João Paulo Ferreira
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Profissionais que integram a primeira equipe do Samu indígena do Brasil, em Dourados, formada por indígenas e não indígenas com atendimento bilíngue - Foto: João Risi
Profissionais que integram a primeira equipe do Samu indígena do Brasil, em Dourados, formada por indígenas e não indígenas com atendimento bilíngue - Foto: João Risi

As aldeias Jaguapiru e Bororó, que formam a Reserva Indígena de Dourados (MS), contam desde o último sábado (9) com o primeiro Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) exclusivo para comunidades indígenas no Brasil. O projeto-piloto, que deve beneficiar cerca de 25 mil pessoas, dispõe de profissionais bilíngues que falam português e guarani.

A base foi instalada na área do Hospital de Missão Evangélica Kaiowá, dentro da aldeia Jaguapiru, e funcionará 24 horas por dia. Até então, os moradores dependiam do Samu urbano de Dourados, localizado a aproximadamente 7 quilômetros de distância.

Segundo o cacique da aldeia Bororó, Reinaldo Arévalo, a proximidade deve agilizar o atendimento, mas ainda há locais com dificuldade de acesso. “Tem lugares que a estrada é boa, mas em outros não dá para chegar. É preciso que as autoridades olhem para isso e melhorem”, disse ao g1.

A Reserva Indígena de Dourados abriga mais de 13 mil indígenas das etnias Guarani Ñandeva, Guarani Kaiowá e Terena, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A área tem 3,5 mil hectares e fica entre os municípios de Dourados e Itaporã.

Desde o início das operações, o Samu indígena já atendeu seis ocorrências, informou o coordenador regional do Samu em Dourados, médico Otávio Miguel Liston. A equipe conta com 14 profissionais — cinco técnicos de enfermagem, cinco enfermeiros e quatro condutores-socorristas — metade deles de origem indígena e fluente em guarani.

Os pacientes são encaminhados para hospitais de referência, como o Hospital Universitário da Grande Dourados (HU-UFGD), que também oferece atendimento bilíngue. Todos os espaços da base receberam nomes em guarani, reforçando o respeito à cultura local.

De acordo com o Ministério da Saúde, a iniciativa visa melhorar a comunicação entre equipes e pacientes e poderá ser replicada em outras regiões. Atualmente, o Brasil possui 34 territórios indígenas com distritos sanitários especiais que podem receber o serviço nos próximos anos, segundo a Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS).

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