
O filme Neuroexplorador, produzido por estudantes da Escola Estadual Vespasiano Martins, em Campo Grande, conquistou o prêmio de Direção de Arte – Ensino Médio na 1ª Mostra Nacional de Cinema Estudantil Educavídeo, realizada na última quarta-feira (13) no Palácio dos Festivais, em Gramado (RS). A mostra abriu a programação do 53º Festival de Cinema de Gramado e reuniu produções escolares de diferentes partes do Brasil.
A produção foi desenvolvida ao longo do segundo semestre de 2024, durante oficinas de cinema com apoio do coletivo A Boca Filmes, da produtora Indie Films, do curso de audiovisual da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e incentivo da Lei Paulo Gustavo do Estado. O projeto envolveu alunos do ensino fundamental e médio, professores e profissionais do audiovisual, em um processo que uniu formação técnica e experiência prática no set.
O trabalho foi marcado pela preparação e pela colaboração. Os estudantes chegaram às filmagens já familiarizados com documentos como ordem do dia, decupagem e roteiro, além de compreenderem a estética e os movimentos de câmera que desejavam criar, o que deu agilidade e consistência ao resultado final.
Em conversa exclusiva com O Sul-mato-grossense, a professora Giovana Amaral, que coordenou as ações pedagógicas e atuou como produtora, assistente de arte e dublê, descreveu a emoção pela conquista: “Foi muito emocionante perceber que o nosso filme pôde dialogar com outros públicos fora de nossos círculos de convivência. Integrar a seleção da mostra e compartilhar a alegria dessa conquista com a equipe foi um momento de grande satisfação.”
Giovana também explicou o papel da equipe de apoio para que os estudantes tivessem condições de desenvolver todo o potencial criativo. “Além de organizar os conteúdos do projeto de ensino e coordenar as ações pedagógicas, nós articulamos professores e profissionais do audiovisual para acompanhar de perto cada etapa. No set, atuei como produtora, assistente de arte e até atriz-dublê. Nosso objetivo sempre foi facilitar o processo criativo dos estudantes”, disse.
Ela reforçou que o resultado é fruto de um trabalho conjunto e de muito preparo prévio. “O processo foi pautado na escuta ativa, na partilha de ferramentas, no planejamento e na construção coletiva. Quando chegaram ao set, os alunos já dominavam documentos como ordem do dia, decupagem e roteiro, sabiam a estética e os movimentos de câmera que queriam criar, e entendiam os motivos de cada escolha. Isso fez toda a diferença para que as filmagens fossem eficientes e fluídas”, contou.
Para a professora, o reconhecimento em Gramado é também uma mensagem sobre o papel da educação pública. “Representa orgulho, esperança e a responsabilidade de acreditar no poder da escola pública como espaço de criação e transformação social. É a prova de que, quando as condições são garantidas, os estudantes podem ocupar espaços e disputar narrativas sobre quem são e o mundo que desejam. Também simboliza o reconhecimento externo de um trabalho coletivo e destaca a importância de garantir uma educação capaz de formar sujeitos críticos, sensíveis e organizados.”
A estudante Natália Pontarolo, participante do projeto, também falou sobre a experiência: “Fico feliz em compartilhar essa experiência no projeto de cinema. Atuar e dirigir ao mesmo tempo foi desafiador, porque eu precisava estar dentro da cena e, ao mesmo tempo, ter uma visão do todo. Aprendi a confiar mais em mim e também na equipe que esteve comigo. Foi uma experiência incrível e que me fez crescer muito.”
O Neuroexplorador não apenas representou Mato Grosso do Sul no evento, como também reforçou o potencial criativo dentro da rede pública de ensino, conquistando espaço e reconhecimento em uma das vitrines mais importantes do cinema brasileiro.