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Diploma de ensino superior mais que dobrou salários no Brasil, diz relatório internacional

Estudo mostrou diferença acima da média mundial, mas também registrou evasão alta nas universidades

09/09/2025 às 08h58 Atualizada em 10/09/2025 às 15h16
Por: João Paulo Ferreira
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Diploma de ensino superior mais que dobrou salários no Brasil, diz relatório internacional

Ter um diploma de ensino superior no Brasil pode significar um salto expressivo de renda. De acordo com o relatório Education at a Glance 2025, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), brasileiros de 25 a 64 anos que concluíram a graduação ganham, em média, 148% a mais do que aqueles que pararam no ensino médio. A diferença é maior que a média da OCDE, de 54%.

O Brasil aparece atrás apenas da Colômbia, onde o ganho chega a 150%, e da África do Sul, que lidera com 251%. Apesar desse potencial de retorno financeiro, apenas 20,5% dos brasileiros com 25 anos ou mais têm diploma universitário, segundo o IBGE.

Evasão alta

O relatório também aponta que 25% dos estudantes brasileiros abandonam o curso ainda no primeiro ano do bacharelado, quase o dobro da média internacional, que é de 13%. Mesmo após três anos além do prazo esperado, só 49% dos alunos conseguem concluir a graduação, contra 70% na média dos países da OCDE.

Entre os jovens de 25 a 34 anos, apenas 24% chegam a concluir o ensino superior, número bem abaixo da média de 49%. Para a OCDE, esse índice reduzido pode estar ligado à falta de orientação profissional e de apoio acadêmico adequado aos calouros.

Diferença entre homens e mulheres

As mulheres apresentam desempenho melhor que os homens na conclusão da graduação. No Brasil, 53% das alunas finalizam os cursos, contra 43% dos alunos. A diferença é de 9 pontos percentuais, menor que a média da OCDE, de 12 pontos.

Desafios de inclusão

Outro dado preocupante é o percentual de jovens que não estudam nem trabalham. No Brasil, 24% dos jovens de 18 a 24 anos estão nessa condição, conhecida como NEET. Entre as mulheres, a taxa chega a 29%, enquanto entre os homens é de 19%. A média da OCDE é de 14%.

Investimentos

O relatório mostra ainda que o gasto público por estudante universitário no Brasil é de US$ 3.765 por ano (cerca de R$ 20 mil), muito abaixo da média da OCDE, de US$ 15.102 (cerca de R$ 80 mil). No entanto, em proporção ao Produto Interno Bruto, o investimento brasileiro, de 0,9%, é semelhante ao dos demais países.

Para a organização, é preciso ampliar tanto o acesso quanto a qualidade dos cursos. O secretário-geral da OCDE, Mathias Cormann, destacou que as baixas taxas de conclusão “prejudicam o retorno do investimento público, agravam a escassez de competências e limitam o acesso a oportunidades”.

Entre as medidas sugeridas estão fortalecer a orientação vocacional no ensino médio, oferecer cursos universitários mais inclusivos e flexíveis e adotar programas curtos e direcionados, que aumentem as chances de conclusão.

Qualidade em debate

O relatório também chama atenção para a qualidade da formação. Em países avaliados, 13% dos adultos com diploma universitário não atingem sequer o nível básico de leitura de textos complexos. Para a OCDE, isso mostra a necessidade de não apenas expandir o acesso, mas garantir que o ensino superior ofereça formação consistente e relevante para o mercado de trabalho.

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