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Adriane Lopes corta salário de professores temporários com pós-graduação em Campo Grande

Edital reduziu em R$ 442 a remuneração de mestres e doutores na rede municipal

28/09/2025 às 11h02
Por: João Paulo Ferreira
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Prefeita Adriane Lopes em unidade da educação infantil de Campo Grande, alvo de críticas após reduzir salários de professores temporários com pós-graduação
Prefeita Adriane Lopes em unidade da educação infantil de Campo Grande, alvo de críticas após reduzir salários de professores temporários com pós-graduação

A gestão da prefeita Adriane Lopes (PP) decidiu reduzir a remuneração dos professores temporários da Rede Municipal de Ensino (Reme) que possuem especialização, mestrado ou doutorado. O corte aparece no edital publicado no dia 25 de setembro, que abriu inscrições para o processo seletivo de contratação desses profissionais.

Pelo documento, os docentes sem vínculo efetivo com a Prefeitura vão receber apenas o salário-base proporcional às horas trabalhadas, sem nenhum acréscimo pela formação acadêmica. Com a medida, mestres e doutores terão perda mensal de R$ 442 em relação ao que era praticado anteriormente.

Comparação com os efetivos

Segundo a tabela da ACP (Sindicato Campo-Grandense dos Profissionais da Educação Pública), atualizada em maio de 2025, um professor concursado de 20 horas semanais PH2-A recebe R$ 4.425,53. Com a progressão por titulação, o valor pode chegar a R$ 5.752,98.
Na prática, a Prefeitura de Campo Grande determinou que quem é temporário receberá menos, mesmo tendo investido anos em especialização, mestrado ou doutorado. O modelo de diferenciação já é adotado pelo Governo do Estado, mas agora Adriane Lopes repete o desmonte no município.

Posição do sindicato

Em nota, a ACP repudiou a decisão e lembrou que sempre se posicionou contra qualquer forma de fragmentação entre profissionais. O sindicato reforçou que a cidade é uma das poucas do Brasil a ter política de piso salarial de 20 horas semanais, resultado de luta histórica da categoria.
A diretoria também informou que pediu reunião com a Comissão Mista de Educação da Câmara Municipal para discutir os pontos do edital, reafirmando a defesa pela valorização dos professores e pela realização de concursos públicos.

O processo seletivo

Apesar da polêmica, a Prefeitura abriu inscrições para o banco de professores temporários, com prazo até 3 de outubro. Os candidatos precisam ter licenciatura plena ou curso normal superior compatível com a área, além de atender a requisitos básicos como maioridade, quitação eleitoral e ausência de condenações criminais.
A seleção terá três etapas: inscrição on-line, prova objetiva marcada para 19 de outubro e análise de títulos. A contratação é para cargas de até 20 horas semanais, destinadas a substituir professores afastados por licença, maternidade ou outras situações administrativas.

Desvalorização escancarada

Com a decisão, a gestão de Adriane Lopes manda um recado direto à categoria: quem não é concursado, ainda que tenha investido anos em formação, vale menos para a Prefeitura. O corte de R$ 442 atinge justamente os profissionais mais qualificados, que poderiam contribuir com maior qualidade de ensino na rede pública.

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