
Não sei se posso chamá-lo de amigo, afinal, não temos convivência suficiente para isso, mas a admiração que tenho pelo senhor me autoriza a lhe escrever estas linhas. Talvez sejam palavras que ninguém ainda tenha tido coragem de dizer. Talvez por respeito, por conveniência, ou simplesmente por medo de desagradar quem hoje ocupa uma cadeira de poder.
Mas como o respeito verdadeiro nasce da franqueza, permita-me a sinceridade.
Xará, você saiu gigante de uma gestão onde pôde mostrar toda a sua competência. Tornou-se exemplo, referência, alguém cuja trajetória inspirava. E é justamente por isso que me dói vê-lo onde está agora. Cercado por mediocridade, afundando aos poucos num pântano político que não lhe pertence.
Não se esqueça dos 347.861 votos que o colocaram entre os grandes nomes da política sul-mato-grossense em 2018. Votos de pessoas que acreditaram na sua história. História que é sustentada pela dedicação ao estudo e ao trabalho.
Permita-me um conselho de quem observa de fora, mas torce de verdade: saia enquanto há tempo.
Não se apequene em uma administração que, para se manter de pé, precisa de alguém para segurar o peso de seus erros. Não aceite ser o rosto de uma gestão que o usa como escudo e, quando tudo ruir, jogará a culpa no seu colo.
Os abutres estão à espreita, xará. Já começaram a devorar tudo e, se o senhor deixar, devorarão até a sua história.
E quando não restar mais nada, quando a conveniência política pedir novos nomes e rostos para o mesmo projeto, dirão que “a gestão precisa avançar”. E te agradecerão com um tapinha nas costas, como quem se despede de alguém útil, mas descartável.
Talvez até lhe ofereçam um cargo escondido em algum canto, como fizeram com outros que um dia também brilharam (Rosana que o diga).
Digo isso não por amargura, mas por respeito. Por acreditar que o senhor ainda tem muito a oferecer, mas não ali, não desse jeito.
Com grande admiração e esperança de que volte a ser o xará que um dia inspirou tantos,
Marcelo Tognini.