
O Partido Liberal (PL) surgiu para o eleitor com a promessa de ser representante dos bons costumes, da família e de tudo aquilo que a gente chama de conservadorismo. Mas, cá entre nós, aqui no Mato Grosso do Sul as movimentações para as eleições dease ano estão deixando muita gente com a pulga atrás da orelha. Parece que o discurso bonito do púlpito está batendo de frente com o que acontece nos bastidores do palanque, e a pergunta que não quer calar é: o PL ainda merece a confiança do cidadão de bem aqui da nossa terra?
Serei franco mesmo sabendo que nessas terras pantaneiras a franqueza normalmente custa caro quando o assunto é política.
Outro dia o nome do ex-deputado federal Edson Girotto voltou a circular nos bastidores. O ex-deputado, que já é figurinha carimbada nas páginas da Operação Lama Asfáltica, que tomou anos de "xilindró" por corrupção e que no ano passado foi condenado novamente, (desta vez por enriquecimento ilícito) teve sua vaga garantida no partido pelo "todo poderoso", Valdemar da Costa Neto. A amizade, ao que parece, fala mais alto que a ficha corrida.
E a coisa não para por aí. Temos também o deputado estadual Neno Razuk, que já está no PL e que tentará a reeleição. O problema é que o Neno também acaba de ser condenado a 15 anos de xadrez. O motivo? Chefiar uma organização criminosa com forte atuação no ramo do jogo do bicho. A tal Operação Successione desvendou um esquema que, para muitos, é um tapa na cara de quem acredita na justiça. E mesmo com a condenação confirmada em janeiro de 2026, ele segue firme e forte no partido e na Assembleia Legislativa. Onde fica o tal compromisso com a ética e os bons costumes que o PL tanto alardeia, quando se mantém um nome com um histórico desses?
É uma verdadeira esquizofrenia política. De um lado, a gente vê a base eleitoral do PL, aquela galera mais conservadora, que realmente acredita nos valores que o partido diz defender. Do outro, a cúpula, tanto em Brasília quanto aqui em Campo Grande, parece mais preocupada em juntar votos, não importa de onde venham. Enquanto alguns nomes tentam manter a bandeira ideológica hasteada, o partido abre as portas para figuras com um passado judicial bem complicado. Essa mistura, além de confusa, acaba minando a credibilidade de um partido que se diz diferente.
O eleitor sul-mato-grossense, que conhece bem essas histórias aqui contadas, tem todo o direito de questionar: o PL de Mato Grosso do Sul ainda tem moral para pedir o voto da ala conservadora? Ainda podem confiar que o partido representa os valores familiares e os bons costumes?