
Outro dia, conversando com um amigo ligado à Secretaria de Fazenda, comentei elogiando a gestão: “O Estado vai bem, o governo está redondo”. Ele fez uma careta, olhou para os lados (como quem cuida para ver se alguém está ouvindo) e soltou: “É… mais ou menos, né?!”.
“Pra início de conversa”, começou ele, “são tempos de vacas magras no país todo. O problema é que aqui, o Estado está virando uma mãe…”. E emendou na ironia: “Lá no chão de fábrica já trocaram o nosso café. A gente já não toma mais Melitta”, brincou.
Então ele continuou: “A renúncia fiscal tá levando a vaca pro brejo. Quase 40%, bicho!”.
A prosa seguiu, mas o número me assustou. Quase 40% de renúncia fiscal? É muita coisa.
As projeções de renúncia fiscal para 2025 são de R$ 6,1 bilhões; R$ 11 bilhões em 2026; R$ 12 bilhões em 2027; e R$ 13 bilhões em 2028. Do outro lado do balcão, a Receita Corrente Líquida prevista é de R$ 22 bilhões (2026), R$ 23 bilhões (2027) e R$ 25 bilhões (2028). Ou seja: beirando a metade e depois passando dela.
Quem é que se beneficia no final das contas? São as poucas empresas que recebem incentivos tão pesados ou esse benefício chega no povo sul-mato-grossense? Porque a conta a gente já sabe, quem paga é o povo.
E parece não ser exclusividade de uma única área, assuntando com outro amigo, desta vez de outra secretaria, ele me disse sem rodeios: “Estamos enfrentando muitas dificuldades financeiras”.
É aí que mora minha preocupação e trago minha dúvida sem dedo em riste: se a propaganda diz que está tudo bem, por que tanta gente, internamente, relata aperto? Fico com a impressão de que falta recurso. Mas os números me mostram que não. E se não falta recurso, falta então a boa gestão dele? Se for isso, aí são outros quinhentos. Aí só seguindo a rota para entender onde vai parar tanto dinheiro.
Será que vaca está indo pro brejo?