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Estudantes da Rede Estadual usam IA para detectar incêndios no Pantanal e avançam à final do Desafio Liga Jovem

Projeto foi selecionado após desenvolvimento de ferramenta com imagens de satélite

01/12/2025 às 08h04
Por: João Paulo Ferreira
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Visita técnica ao Centro Integrado de Comando e Controle permitiu apresentar o sistema de detecção de incêndios ao Corpo de Bombeiros para validação operacional
Visita técnica ao Centro Integrado de Comando e Controle permitiu apresentar o sistema de detecção de incêndios ao Corpo de Bombeiros para validação operacional

O projeto Olhos do Pantanal, desenvolvido por estudantes da Rede Estadual de Ensino (REE) em parceria com o Senac MS, chega à final nacional do Desafio Liga Jovem (DLJ3), promovido pelo Sebrae Nacional e executado pelo Instituto Ideias de Futuro. A equipe Bitmentes, formada na Escola Estadual Cívico-Militar Professor Alberto Elpídio Ferreira Dias, é o único grupo de Mato Grosso do Sul entre os finalistas da maior competição estudantil de inovação e empreendedorismo social do Brasil.

A classificação é resultado do trabalho realizado dentro do Itinerário de Formação Técnica e Profissional (FTP), na área de Desenvolvimento de Jogos Digitais, ofertado pelo Governo do Estado em parceria com o Senac MS. O programa integra o ensino técnico ao ensino médio por meio de docentes do Senac e faz parte do V Itinerário Formativo do novo Ensino Médio, instituído pelo Ministério da Educação (MEC).

O Desafio Liga Jovem tem como objetivo estimular criatividade, tecnologia e protagonismo estudantil, formando jovens capazes de propor soluções reais para problemas sociais. Em sua terceira edição, o programa reuniu mais de 62 mil estudantes e 5 mil projetos de todo o país, reforçando a dimensão da mobilização nacional. Dividido em três fases — sensibilização e trilha de aprendizado, etapa estadual e Missão Técnica Nacional —, o desafio inclui mentorias, formações e bancas presenciais que selecionam os trabalhos de maior impacto.

A equipe Bitmentes atua de forma interdisciplinar e foi orientada pelo professor Felipe Doza, que leciona no Senac Hub Academy e também nas escolas estaduais atendidas pelo FTP. O grupo criou uma ferramenta tecnológica baseada em inteligência artificial e leitura de imagens de satélite, capaz de identificar focos de incêndio e auxiliar no monitoramento de áreas críticas do Pantanal.

Equipe Bitmentes integra o Itinerário de Formação Técnica e Profissional da Escola Estadual Cívico-Militar Professor Alberto Elpídio Ferreira Dias - Foto: Divulgação

Segundo o professor, o resultado confirma a importância da educação profissional na formação dos estudantes. “Esse formato de ensino aproxima o aluno da realidade e mostra o poder da tecnologia quando usada para o bem coletivo. Ver o projeto chegar à etapa nacional é um reconhecimento de todo esse esforço e do potencial da educação técnica em Mato Grosso do Sul”, destacou Felipe Doza.

Durante o desenvolvimento do projeto, os alunos realizaram visitas técnicas ao Centro Integrado do Corpo de Bombeiros, onde puderam validar a ferramenta em cenários reais de monitoramento e entender a dinâmica do combate aos incêndios florestais no Estado.

A equipe segue agora para a Missão Técnica Nacional, realizada de 29 de novembro a 4 de dezembro, em Belém (PA). Todas as despesas da viagem e participação são custeadas pelo Sebrae.

O avanço do Olhos do Pantanal ocorre em meio à expansão do FTP no Estado. De acordo com o superintendente de Modalidades e Programas Educacionais da SED, Davi de Oliveira Santos, o programa alcançou 243 unidades escolares da Rede Estadual de Ensino em 2025, envolvendo 36 mil estudantes distribuídos em 27 itinerários formativos diferentes.

A diretora regional do Senac MS, Jordana Duenha, reforça que os resultados são fruto de um trabalho contínuo de fortalecimento do ensino técnico. “Desde o início dessa colaboração, o Senac passou por um processo de expansão e formação docente, contratando novos professores e oferecendo capacitação pedagógica para que o modelo de ensino técnico fosse integrado às escolas estaduais”, pontuou.

O desempenho do Senac MS nesta edição do DLJ3 também aparece em outros projetos. Cinco iniciativas da instituição chegaram à fase estadual em diferentes categorias — ensino médio, ensino técnico e ensino superior. Entre elas está o OrientaApp, orientado pelo professor Thiago Gonçalves de Almeida, único projeto de uma faculdade particular entre os finalistas universitários, com foco em tecnologia assistiva para acessibilidade de pessoas cegas em pontos turísticos. Além disso, dois projetos do Programa Voucher Desenvolvedor, formados por alunos do curso técnico em Desenvolvimento de Sistemas, e um projeto da Fábrica de Software do Senac MS também alcançaram a etapa estadual.

O destaque conquistado inspirou ainda outro reconhecimento: o Senac Hub Academy foi homenageado pelo Sebrae como Escola Empreendedora, resultado da mobilização conjunta de alunos, professores, coordenação pedagógica, equipe administrativa e comunidade escolar.

Com a classificação da equipe Bitmentes à final do Desafio Liga Jovem e o avanço do projeto Olhos do Pantanal, o Senac MS e a Rede Estadual reafirmam o compromisso com um modelo de educação que conecta tecnologia, sustentabilidade e impacto social, formando jovens protagonistas capazes de propor soluções reais para desafios ambientais.

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