
A paralisação nacional anunciada para esta quinta-feira (4) não se concretizou em Mato Grosso do Sul. Nas primeiras horas da manhã, rodovias federais e estaduais seguiam sem bloqueios ou atos, segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), sindicatos e motoristas. Presidente do Sindicam-MS, Osny Belinati afirma que a entidade acompanha a movimentação, mas não houve adesão local. “Estamos atentos à possível greve, porém não houve paralisação em MS nesta manhã”, disse o dirigente, que já descartava uma mobilização expressiva no Estado.
Entre os trabalhadores empregados, o vice-presidente do Sindicargas-MS, Giovani Dias da Silva, relata que o assunto foi discutido com o presidente Gilmar Ribeiro da Silva e com o presidente do SETCEMS, Cláudio Cavol. A conclusão foi que tanto a categoria laboral quanto a patronal decidiram não aderir ao movimento neste momento. Dezembro é período de alta demanda, com contratos em andamento, entregas de fim de ano e importações em curso. Para os sindicatos, parar agora aumentaria custos e geraria prejuízos sem garantia de resultados.
Entre caminhoneiros autônomos, o clima também é de cautela. Há grupos de WhatsApp discutindo a greve e compartilhando vídeos, mas sem organização de bloqueios no Estado. Muitos rejeitam pautas políticas e priorizam cumprir fretes em um mês decisivo para a renda anual.
No cenário nacional, o chamado ganhou força em vídeos do caminhoneiro Franco Dalmaro, que se apresenta como líder do “Movimento Nacional dos Caminhoneiros”. Ele afirma ter protocolado demandas na Presidência da República para “dar legalidade” ao movimento, acompanhado pelo desembargador aposentado Sebastião Coelho, aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro. Nas gravações, Dalmaro – também conhecido como Chicão Caminhoneiro – diz que a mobilização deve respeitar a lei e orienta que não haja impedimento ao direito de ir e vir, em referência ao trauma de bloqueios totais registrados em paralisações como a de 2018.