16°C 26°C
Campo Grande, MS
Publicidade

Pantanal reduz desmatamento quase pela metade, mas ainda perde mais de 12 mil hectares por ano

Bioma teve a maior queda proporcional do país em 2025, segundo o MapBiomas, mas avanço ainda representa perda de vegetação nativa em Mato Grosso do Sul e Mato Grosso

28/05/2026 às 14h25 Atualizada em 30/05/2026 às 10h24
Por: João Paulo Ferreira
Compartilhe:
MapBiomas apontou que o Pantanal teve em 2025 a maior redução proporcional de desmatamento entre todos os biomas brasileiros, com queda de 48,4% em relação ao ano anterior - Foto: Marcos Vergueiro
MapBiomas apontou que o Pantanal teve em 2025 a maior redução proporcional de desmatamento entre todos os biomas brasileiros, com queda de 48,4% em relação ao ano anterior - Foto: Marcos Vergueiro

O Pantanal registrou em 2025 a maior redução proporcional de desmatamento entre todos os biomas brasileiros, segundo dados divulgados pelo MapBiomas na quarta-feira (27). A área devastada caiu 48,4% na comparação com 2024. Mesmo assim, o bioma perdeu 12.260 hectares de vegetação nativa ao longo do ano.

O levantamento faz parte do Relatório Anual do Desmatamento no Brasil e mostra que o Pantanal foi o único bioma do país a reduzir quase pela metade a perda de cobertura vegetal em apenas 12 meses.

Em números absolutos, porém, a pressão sobre a vegetação nativa continua relevante. A área desmatada em 2025 equivale a mais de 12 mil campos de futebol ou cerca de 122 quilômetros quadrados.

No ano anterior, o Pantanal havia perdido aproximadamente 23,7 mil hectares. A queda registrada em 2025 reduziu esse volume quase à metade, mas manteve o bioma entre as regiões monitoradas com alerta ambiental constante.

A maior parte da supressão no Pantanal segue concentrada em formações savânicas — vegetação típica do bioma — e está ligada principalmente à abertura de novas áreas e à pressão histórica da atividade agropecuária.

O resultado chamou atenção porque o Pantanal vinha de anos seguidos de perdas ambientais severas, agravadas por secas prolongadas e temporadas intensas de incêndios florestais.

Embora o relatório do MapBiomas trate exclusivamente do desmatamento, sem medir queimadas, os dois temas costumam caminhar lado a lado no Pantanal. A retirada da cobertura vegetal e o ressecamento do solo ampliam a vulnerabilidade do bioma em períodos críticos de estiagem.

Outro dado recente ajuda a dimensionar esse cenário. Levantamento do próprio MapBiomas mostrou que o Pantanal perdeu cerca de 75% de sua área permanentemente alagada nas últimas quatro décadas, alterando a dinâmica hídrica e aumentando o impacto das mudanças climáticas sobre a região.

No recorte nacional, o Brasil fechou 2025 com 984.794 hectares desmatados, queda de 20,6% em relação ao ano anterior. Foi a primeira vez desde 2019 que o país ficou abaixo de 1 milhão de hectares desmatados.

Ainda assim, a média brasileira permaneceu elevada: foram 2.698 hectares perdidos por dia, ou 112 hectares por hora.

Em Mato Grosso do Sul, o número divulgado nesta semana também reacende a discussão sobre a preservação do Pantanal e os efeitos das regras estaduais de proteção ambiental. O governo do Estado e entidades ligadas ao setor ambiental acompanham de perto os dados do bioma, especialmente em municípios como Corumbá, Aquidauana, Miranda e Porto Murtinho, que concentram áreas pantaneiras extensas.

O MapBiomas não atribui oficialmente a queda registrada em 2025 a uma medida específica, mas aponta que a desaceleração do desmatamento no Pantanal foi a mais expressiva do país no último ano.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.