
O Pantanal registrou em 2025 a maior redução proporcional de desmatamento entre todos os biomas brasileiros, segundo dados divulgados pelo MapBiomas na quarta-feira (27). A área devastada caiu 48,4% na comparação com 2024. Mesmo assim, o bioma perdeu 12.260 hectares de vegetação nativa ao longo do ano.
O levantamento faz parte do Relatório Anual do Desmatamento no Brasil e mostra que o Pantanal foi o único bioma do país a reduzir quase pela metade a perda de cobertura vegetal em apenas 12 meses.
Em números absolutos, porém, a pressão sobre a vegetação nativa continua relevante. A área desmatada em 2025 equivale a mais de 12 mil campos de futebol ou cerca de 122 quilômetros quadrados.
No ano anterior, o Pantanal havia perdido aproximadamente 23,7 mil hectares. A queda registrada em 2025 reduziu esse volume quase à metade, mas manteve o bioma entre as regiões monitoradas com alerta ambiental constante.
A maior parte da supressão no Pantanal segue concentrada em formações savânicas — vegetação típica do bioma — e está ligada principalmente à abertura de novas áreas e à pressão histórica da atividade agropecuária.
O resultado chamou atenção porque o Pantanal vinha de anos seguidos de perdas ambientais severas, agravadas por secas prolongadas e temporadas intensas de incêndios florestais.
Embora o relatório do MapBiomas trate exclusivamente do desmatamento, sem medir queimadas, os dois temas costumam caminhar lado a lado no Pantanal. A retirada da cobertura vegetal e o ressecamento do solo ampliam a vulnerabilidade do bioma em períodos críticos de estiagem.
Outro dado recente ajuda a dimensionar esse cenário. Levantamento do próprio MapBiomas mostrou que o Pantanal perdeu cerca de 75% de sua área permanentemente alagada nas últimas quatro décadas, alterando a dinâmica hídrica e aumentando o impacto das mudanças climáticas sobre a região.
No recorte nacional, o Brasil fechou 2025 com 984.794 hectares desmatados, queda de 20,6% em relação ao ano anterior. Foi a primeira vez desde 2019 que o país ficou abaixo de 1 milhão de hectares desmatados.
Ainda assim, a média brasileira permaneceu elevada: foram 2.698 hectares perdidos por dia, ou 112 hectares por hora.
Em Mato Grosso do Sul, o número divulgado nesta semana também reacende a discussão sobre a preservação do Pantanal e os efeitos das regras estaduais de proteção ambiental. O governo do Estado e entidades ligadas ao setor ambiental acompanham de perto os dados do bioma, especialmente em municípios como Corumbá, Aquidauana, Miranda e Porto Murtinho, que concentram áreas pantaneiras extensas.
O MapBiomas não atribui oficialmente a queda registrada em 2025 a uma medida específica, mas aponta que a desaceleração do desmatamento no Pantanal foi a mais expressiva do país no último ano.