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Comunidade coberta por pó de minério debate obra de R$ 1,9 bilhão em Corumbá

Audiência pública discute ampliação de terminal da LHG Mining enquanto moradores relatam impactos da atividade mineradora em Porto Esperança

11/06/2026 às 11h02
Por: João Paulo Ferreira
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Terminal de minério em Porto Esperança, distrito de Corumbá, onde moradores relatam conviver com poeira da atividade mineradora e discutem a ampliação de empreendimento bilionário da LHG Mining - Foto: Fabio Marchi - Campo Grande News
Terminal de minério em Porto Esperança, distrito de Corumbá, onde moradores relatam conviver com poeira da atividade mineradora e discutem a ampliação de empreendimento bilionário da LHG Mining - Foto: Fabio Marchi - Campo Grande News

Moradores de Porto Esperança, distrito de Corumbá, participam nesta quinta-feira (11) de uma audiência pública para discutir o projeto de ampliação do Terminal Privativo Gregório Curvo, da LHG Mining Corumbá. A obra prevê investimento de R$ 1,9 bilhão e ocorre em meio a reclamações da comunidade sobre a poeira de minério, o aumento do tráfego de cargas e os impactos ambientais causados pela atividade mineradora.

A audiência é promovida pelo Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) como parte do processo de licenciamento ambiental do empreendimento. O encontro acontece às 19h em Porto Esperança, comunidade localizada às margens do Rio Paraguai.

O projeto prevê a ampliação da estrutura portuária utilizada para o escoamento do minério extraído pela LHG Mining na região de Corumbá. A intenção da empresa é aumentar a capacidade operacional do terminal para até 15 milhões de toneladas por ano, fortalecendo a logística de exportação por meio da hidrovia do Paraguai.

A discussão, porém, vai além dos números bilionários do investimento.

Moradores afirmam que convivem há anos com a poeira gerada pelo transporte e pelo armazenamento do minério. Segundo relatos encaminhados a órgãos públicos, a substância se acumula sobre casas, móveis, roupas, vegetação e reservatórios de água da comunidade.

Além da poeira, moradores também apontam aumento do barulho provocado pela movimentação de trens, caminhões e embarcações ligadas à atividade mineradora. Parte da população teme que a expansão da estrutura amplie ainda mais esses impactos.

Documentos apresentados no processo de licenciamento apontam que as obras deverão ocorrer entre 2026 e 2029 e mobilizar mais de 1,6 mil trabalhadores ao longo da implantação. No pico das atividades, a previsão é de aproximadamente mil funcionários atuando simultaneamente no empreendimento.

A empresa defende que a ampliação do terminal é necessária para acompanhar o crescimento da produção mineral na região e ampliar a capacidade de exportação. O terminal é considerado peça estratégica para o transporte do minério produzido na Mina Santa Cruz, uma das principais operações da companhia em Mato Grosso do Sul.

A audiência pública tem como objetivo apresentar os estudos ambientais elaborados para o projeto e permitir que moradores, entidades e autoridades façam questionamentos e sugestões antes da conclusão do processo de licenciamento.

O resultado das discussões poderá influenciar as condicionantes ambientais exigidas para a execução da obra, que está entre os maiores investimentos privados atualmente em análise na região de Corumbá.

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