
A Santa Casa de Campo Grande passou a admitir no pronto-socorro adulto, a partir desta sexta-feira (16), apenas pacientes encaminhados pela regulação do Município ou do Estado. Quem procurar o hospital por conta própria recebe o primeiro socorro se estiver em situação de risco, mas não tem a internação garantida e será orientado a buscar outra unidade da rede pública.
A medida foi anunciada na quinta-feira (15) pelo gestor provisório do hospital, Luiz Alberto Kanamura. "Nós só vamos atender os pacientes que eles regularem", afirmou. Segundo ele, a Santa Casa não pode negar atendimento a quem corre risco de morte. "Fazer um analgésico, tirar o risco de vida… nós não temos como negar socorro."
O pronto-socorro adulto recebe, em média, 110 pacientes por dia. A direção ainda não informou quantos serão redirecionados. Não há prazo para o fim da restrição.
Segundo a gestão, a decisão busca preservar os materiais disponíveis para os pacientes mais graves. O hospital relata falta de órteses, próteses e materiais especiais em áreas como hemodinâmica, ortopedia e cirurgia vascular, além de atraso no pagamento de fornecedores e equipes médicas. "Se eu mantiver o paciente que pode ser atendido em outro lugar, vai faltar insumos para esses pacientes", disse Kanamura.
A direção também vai pedir a transferência de pacientes internados que possam continuar o tratamento em outros hospitais. Segundo Kanamura, isso não significa que todos serão transferidos.
Sem encaminhamento, a orientação é procurar uma das 10 unidades de urgência da Prefeitura, que funcionam 24 horas, todos os dias. Em caso de emergência, ligue para o Samu, no 192.
UPAs
CRSs
Segundo a Prefeitura, a Santa Casa não é uma unidade de porta aberta para atendimento espontâneo. A Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) mantém uma equipe dentro do hospital para orientar e encaminhar à rede adequada quem chega ao pronto-socorro sem necessidade de atendimento hospitalar.
Em nota, a Sesau informou que não foi comunicada oficialmente pela Santa Casa sobre a restrição e que o fluxo de encaminhamento de pacientes segue normalmente, conforme o convênio em vigor.
A restrição foi anunciada um dia depois da audiência judicial em que Estado, Prefeitura e a gestão provisória discutiram o novo contrato do hospital com o Sistema Único de Saúde (SUS). Na quinta, a Santa Casa informou que decidiu não assinar o documento por enquanto. Segundo o hospital, a proposta de R$ 37,4 milhões por mês não cobre as necessidades financeiras da instituição.
"Apesar da parte técnica ter evoluído, nós não chegamos a uma definição, uma adequação da parte financeira do hospital", afirmou Kanamura.
A direção prepara uma proposta para adequar a estrutura ao valor oferecido, o que pode incluir redução de leitos e de serviços pelo SUS. Segundo o gestor, a reorganização foi pedida pelas secretarias de Saúde do Estado e do Município, que querem concentrar o atendimento em áreas de referência: politrauma grave, neurocirurgia, neurologia clínica, ortopedia, cardiologia clínica e cirúrgica, cirurgia vascular e grandes queimados. A proposta deve ser apresentada na segunda-feira (19) ou na terça-feira (20).
A Santa Casa é administrada desde 24 de setembro por Kanamura, nomeado gestor provisório pela Justiça por 180 dias. O convênio atual com a Prefeitura vale até 30 de novembro.