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Estudo mostra que fome levou mães a roubarem em Campo Grande

Estudo mostra que fome levou mães a roubarem em Campo Grande

12/07/2023 às 08h31 Atualizada em 12/07/2023 às 12h31
Por: Viviane Freitas
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Todas as mulheres presas por furto de alimentos, em Campo Grande, eram mães. Elas foram flagradas com mantimentos com leite, carne bovina ou de frango, que seriam utilizados para alimentar a família, segundo levantamento feito pelo Nucrim (Núcleo Criminal), da Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul. Os dados foram compilados no período entre 1º de julho de 2022 a 30 de junho de 2023.

De acordo com o estudo, em um ano, 28 pessoas atendidas por defensores públicos passaram por audiência de custódia por furto de alimentos em Campo Grande. Quatro a menos que no anterior. “Esse tipo de furto é completamente diferente dos casos em que a pessoa se apropria de algo para lucrar. Os dados apontam que, essas pessoas flagradas com alimentos furtaram para consumo próprio e de familiares, ou seja, sobrevivência. Vale lembrar que, esse número pode ser maior já que esses casos são subnotificados”, destaca o coordenador do núcleo, defensor público Daniel de Oliveira Falleiros Calemes.

Raio-x do furto de alimentos

  • Das 28 pessoas presas, duas foram autuadas em duas ocasiões, ou seja, furtaram comida em mais de uma vez neste período.
  • Do total de pessoas, uma era adolescente, que não passou por audiência de custódia e não está inserida na análise de perfil.
  • Dos alimentos furtados, um figurou pela primeira vez neste tipo de estudo: leite e derivados. Foram pelo menos oito itens listados.
  • O tipo de alimento mais furtado continua sendo a “mistura”. Do total de pessoas autuadas, 17 foram pegas na posse de carne bovina ou de frango.
  • Embutidos, guloseimas também estão entre os itens furtados.

Perfil

  • A maioria dos casos foi cometido por homens. Dos autuados, 16 eram do sexo masculino, 10 do sexo feminino e um se identificou como LGBTQIA+.
  • Das mulheres autuadas, todas são mães.
  • A maioria dos furtos foi cometido por pessoas com idade entre 31 e 40 anos.
  • 20 dos custodiados se autodenominaram pardos, seis como brancos e um como preto. Todos com nacionalidade brasileira.
  • Em relação ao grau de escolaridade, 16 sequer concluíram o ensino fundamental.
  • 14 das custodiadas ou custodiados estavam desempregados ou vivendo de “bicos”.
  • 22 dos 28 dos custodiados vivem em situação ocupacional vulnerável, o que justifica o fato de que a maioria deles são assistidos pela Defensoria Pública.
  • Em 8 dos casos o assistido ou a assistida não tinha documento pessoal ou estava extraviado.

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