
O que era para ser uma tentativa de acasalamento virou um grande embate entre duas onças-pintadas, no Pantanal de Mato Grosso do Sul. O registro impressionante foi feito pelo biólogo e guia da Organização Não Governamental (ONG) Onçafari, Bruno Sartori Reis, no Refúgio Ecológico Caiman, em Miranda (MS).
O biólogo contou que a briga durou cerca de 4h. Os protagonistas são as onças Ferinha e Tupã.O macho Tupã se aproximou para tentar copular com Ferinha, porém o que ele não sabia é que a fêmea estava totalmente indisponível no momento, explicou Bruno.
“A Ferinha já está com um filhote e até que este filhote desgarre, por volta de um ano e meio de idade, ela não vai emprenhar novamente. Além disso, já fazia dois ou três dias que ela estava longe do filhote, tentando caçar. [...] O Tupã tentou de todas as maneiras se aproximar, rolou, marcou território, virou de barriga para cima, nada fez efeito, ela seguia muito agressiva”, disse o biólogo.
Os animais usam colar de monitoramento e são acompanhadas pelos profissionais da ONG Onçafari.
Ferinha mostrou-se irredutível e Tupã insistiu por horas, conforme narra Bruno. “Por vezes pudemos ver ela cravando as garras na cara dele, e em um ponto pudemos ver que ele já havia começado a sangrar. Esse cenário se repetiu por quase quatro horas”.
O sol se pôs e em um momento em que Tupã se afastou, Ferinha aproveitou para desaparecer dos olhos dele, embrenhando-se na mata.
“Neste momento, enquanto saímos do avistamento pudemos ver o Tupã caminhando de volta, cheirando, tentando encontrar o rastro novamente”, lembrou.
O biólogo acredita que Tupã não obteve sucesso em encontrar Ferinha de novo.
“No dia seguinte encontramos a Ferinha bem longe do local do avistamento já com a sua filhota, a Laventina. As duas estavam em meio a uma área com mais mata, tranquilas dormindo debaixo das folhas de um acuri”, relata o biólogo.
Comportamento animal
Bruno contou que o assistir ao encontro dos dois animais foi um momento especial e único. “Foi uma ótima oportunidade de acompanhar o comportamento de um macho e uma fêmea quando se encontram na natureza”, disse.
O biólogo explicou que a ação do macho em rodear a fêmea é algo natural.
“A fêmea costuma se mostrar mais agressiva no começo e o macho fica rodeando fazendo vários displays diferentes para convencer aquela fêmea de que ele é um macho forte e saudável para copular e abrir a possibilidade de ter filhotes, passando aquela genética para a frente”.
Se o cortejo foi bem sucedido e os animais ficam juntos ocorre a cópula. Mesmo acostumado com monitoramento de felinos, o registro certamente ficará para sempre na memória do biólogo.
“Uma coisa que aprendi muito cedo, foi que nunca sabemos o que podemos encontrar”, finaliza.
https://osulmatogrossense.com.br/wp-content/uploads/2022/06/1.mp4