
A Justiça de Mato Grosso do Sul concedeu medida protetiva de urgência em favor da prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), e determinou uma série de restrições ao influenciador digital e pré-candidato a deputado estadual Bruno Ortiz Barbosa. A decisão foi assinada na quarta-feira (10) pelo juiz Márcio Alexandre Wust.
Conforme o despacho judicial, Bruno Ortiz está proibido de se aproximar da prefeita, de seus familiares e de testemunhas do caso, devendo manter distância mínima de 100 metros. Ele também não poderá estabelecer contato com Adriane por qualquer meio de comunicação, incluindo telefone, mensagens, e-mail, cartas ou redes sociais.
A decisão ainda impede o influenciador de frequentar a Prefeitura de Campo Grande e de participar de eventos públicos em que Adriane Lopes esteja presente no exercício do cargo. O descumprimento das determinações poderá resultar na decretação de prisão preventiva.
O processo tramita sob sigilo.
Em nota enviada à imprensa, a Prefeitura de Campo Grande informou que o pedido foi fundamentado em episódios que classificou como violência de gênero contra a prefeita.
Segundo a administração municipal, Adriane vinha sendo alvo de perseguições, intimidações e ataques que extrapolariam o debate político e atingiriam sua vida pessoal e familiar.
A prefeita afirmou que nenhuma mulher deve aceitar ameaças ou intimidações.
" Nenhuma mulher, independentemente da função ou posição que ocupe, deve tolerar qualquer forma de violência, ameaça ou intimidação. Enfrentar a violência de gênero é um compromisso de toda a sociedade, e os mecanismos de proteção devem ser acionados com firmeza para garantir a integridade, a segurança e a dignidade de todas as mulheres ", declarou.
Em entrevistas concedidas após a decisão, Adriane Lopes afirmou que sofre perseguições há aproximadamente dois anos. Segundo ela, os episódios incluem publicações frequentes nas redes sociais, acusações contra sua gestão e até o uso de drones próximos à residência da família.
A prefeita também relatou que familiares teriam sido afetados pela situação. Em uma das declarações, afirmou que a mãe desenvolveu síndrome do pânico em razão dos episódios que atribui à perseguição.
De acordo com Adriane, os fatos começaram durante o período eleitoral e se intensificaram nos últimos anos.
Bruno Ortiz ganhou projeção nas redes sociais por vídeos com críticas à administração municipal. Entre as ações de maior repercussão, participou de fiscalizações em unidades públicas, denunciou problemas na saúde municipal e protocolou, ao lado do ex-candidato a prefeito Luso Queiroz (PSOL), um pedido de impeachment contra Adriane Lopes, posteriormente arquivado pela Câmara Municipal.
Nos últimos anos, o influenciador também publicou conteúdos questionando contratos da Prefeitura, gastos públicos, problemas na saúde e nomeações da administração municipal.
Após a divulgação da decisão, a defesa de Bruno Ortiz afirmou a veículos de imprensa que considera a medida equivocada e pretende recorrer.
Aliados do influenciador também classificaram a decisão como uma tentativa de restringir sua atuação política e de fiscalização.
Até a publicação desta reportagem, não havia sido divulgada manifestação detalhada de Bruno Ortiz sobre o mérito das acusações que fundamentaram a concessão da medida protetiva.