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Fim da pandemia? Saiba o que diz o pesquisador Julio Croda

Fim da pandemia? Saiba o que diz o pesquisador Julio Croda

23/02/2022 às 16h02 Atualizada em 23/02/2022 às 20h02
Por: Viviane Freitas
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Quase dois anos após o início da pandemia, o fim do surto da covid-19 pode estar próximo. É o que avalia o pesquisador e infectologista Julio Croda, um dos nomes à frente de estudos sobre a doença, desde o início da pandemia.

A afirmação do especialista é baseada na análise de números da covid. Por mais que a quantidade de infecções ainda esteja alta na maioria das cidades de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, as internações e os óbitos estão prestes a atingir um patamar de controle.

“A gente já observa redução da média móvel de casos, internações e futuramente, muito provavelmente, dos óbitos. Isso deve ocorrer ao longo de fevereiro, início de março. A gente vem avançando na cobertura vacinal, apesar de ainda precisar melhorar a dose de reforço e vacinação de crianças com idades entre 5 e 11 anos”, destacou Croda, em entrevista ao Grupo RMC (Rede Mato-Grossense de Comunicação).

  • Isso significa que a pandemia pode acabar nas próximas semanas?

“O que a gente pode observar, é que depois que a gente tiver essa ond de Ômicron, a partir de março, a tendencia é que a cobertura, junto com as infecções previas, garanta uma certa proteção, pincipalmente em casos de internações e óbitos. Ou seja, o impacto da doença será menor”.

Para que isso aconteça, o profissional destacou a importância da população concluir o ciclo vacinal. “A gente tem que seguir vacinando, essa é a propriedade. A gente vai sim caminhar para o fim da pandemia e será mais tranquilo se a gente tiver maior cobertura vacinal”, reforçou Croda.

  • Futuro: como a doença deve ser tratada?

“A gente tem outras doenças como influenza e dengue, as arboviroses, que são sazonais, e que a gente faz vacina anualmente, como pra gripe, para prevenir hospitalização e óbito. É o que deve acontecer com a covid. Ela deve passar por um período de transição, se tornar endêmica, com aumentos sazonais, muito provavelmente associado ao período de inverno, que talvez sejam necessárias doses de reforço para a população mais vulnerável”.

  • O que deve acontecer com as atuais medidas de biossegurança?

“Eventualmente, as medidas preventivas serão retiradas, como por exemplo, uso de máscaras, inicialmente em locais abertos. Depois, o isolamento de contatos. isso vai ocorrer à medida que a gente avançar com a imunidade coletiva. Se a gente tiver períodos sazonais que não causem impacto nos serviços de saúde, poderemos programar aumentos sazonais de leitos, intensificar vacinações no período e retornar a nossa vida habitual sabendo que teremos que ter cuidado nesses períodos”.

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  • Existe o risco de novas variantes e mortes?

“Com a imunidade gerada pela vacina, cada vez mais vai morrer menos pessoas que se infectarem. Já tivemos um período em que a letalidade da covid estava 20 vezes maior que a letalidade da Influenza. Hoje, ela está duas ou três vezes maior. Não que o vírus da gripe não mata, mas a gente pode manejar isso com tratamentos específicos e aberturas de leitos”.

“Acho que nós teremos novas variantes, entretanto, o impacto em termos de hospitalização e óbitos, cada vez, será menor”.

  • Vacinas podem ser aplicadas periodicamente, a exemplo da Influenza?

“O Ministério da Saúde pode adotar essa estratégia de vacinar Influenza e covid ao mesmo tempo, porque os grupos de risco são os mesmos. O Mato Grosso do Sul se antecipou no que diz respeito a quarta dose, mas o que a gente sabe, é que três doses da vacina garantem uma excelente proteção para pessoas abaixo de 50 anos e talvez não seja necessária dose de reforço para esse púbico adulto-jovem”.

Aplicação: “Pode ser anual, ou a cada dois anos… vamos ter que observar o que vai acontecer nos próximos meses”, concluiu Julio Croda sobre a pandemia

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